Ao todo mais de 400 mil trabalhadores se especializaram
Fim das Queimadas e o Impacto na Economia da Cana-de-açúcar
A proibição da queima da cana em áreas planas do estado de São Paulo, implementada a partir da safra 2014/2015, trouxe mudanças significativas para o setor sucroenergético. Embora ambientalmente positiva, com redução de 65 milhões de toneladas de poluentes emitidos, a mecanização da colheita impactou diretamente a mão de obra.
Desafios para os Trabalhadores Rurais
A mecanização, que aumenta a produtividade para 40 toneladas de cana por hora (equivalente ao trabalho de 10 homens), resultou em desemprego para muitos trabalhadores rurais. Cidades como Guariba, que recebiam milhares de trabalhadores migrantes durante a safra, viram esse número cair drasticamente para cerca de 150. O presidente do sindicato dos empregados rurais de Guariba, Wilson Rodrigues da Silva, relata o aumento do desemprego e a dificuldade enfrentada por aqueles que não conseguiram se qualificar para outras áreas de trabalho. Por outro lado, trabalhadores que buscaram qualificação profissional relatam melhora salarial e nas condições de trabalho.
Adaptação e Modernização
Apesar das dificuldades, a modernização do setor também trouxe oportunidades. Desde 2007, 400 mil cortadores de cana foram profissionalizados. A tecnologia trouxe avanços, mas a transição não foi isenta de problemas, afetando significativamente a vida de muitos trabalhadores. A lei que proíbe a queima da palha permite, contudo, que pequenas propriedades (menos de 150 hectares) continuem com o corte manual. O impacto econômico nas cidades que dependiam da mão de obra migrante também foi considerável, com redução no fluxo de consumidores e consequente impacto no comércio local.
Leia também
A modernização da indústria sucroalcooleira trouxe avanços ambientais e de produtividade, mas os desafios sociais e econômicos relacionados à transição para a mecanização exigem atenção e políticas públicas que garantam a inclusão e a qualificação profissional dos trabalhadores rurais. A experiência demonstra a necessidade de planejamento e investimento em capacitação para minimizar os impactos negativos da modernização tecnológica no setor.



