Um episódio de assédio marcou a partida entre Comercial e Nacional, disputada no último sábado (7), no Estádio Palma Travassos, pela Campeonato Paulista Série A4.
O caso foi relatado em súmula pela árbitra Ana Caroline D’Eleutério de Souza Carvalho após ser informada sobre o ocorrido pelo quarto árbitro e pela comissão técnica do Nacional.
Relato
De acordo com o documento oficial da arbitragem, aos 46 minutos da partida o técnico do Nacional, Tuca Guimarães, comunicou a arbitragem sobre uma situação envolvendo um torcedor do Comercial e a médica da equipe visitante, Bianca Francelino de Oliveira.
Segundo o relato, um torcedor teria segurado e apontado a genitália em direção à médica, que estava na área do banco de reservas durante um atendimento a um jogador.
A situação gerou um princípio de discussão entre integrantes da comissão técnica e jogadores reservas do Nacional com torcedores que estavam próximos ao alambrado. A árbitra foi até a médica, que confirmou o ocorrido.
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“Eu fui assediada.”
Após a confirmação, a equipe de arbitragem acionou o protocolo previsto para esse tipo de ocorrência e comunicou o fato ao público pelo sistema de som do estádio.
Intervenção
Na sequência, o diretor da partida solicitou à organização do jogo que acionasse o policiamento presente no estádio para tentar identificar o responsável pelo gesto.
Com a chegada dos policiais, os ânimos foram controlados. No entanto, segundo o registro da arbitragem, nenhum torcedor foi identificado no momento do ocorrido.
Ainda conforme a súmula, a arbitragem voltou a conversar com a médica para verificar se ela tinha condições de continuar na partida. A profissional afirmou que poderia permanecer no jogo, que seguiu normalmente até o apito final.
Apuração
Segundo apuração da CBN, após o fim da partida um torcedor foi identificado e seus dados foram repassados ao delegado do jogo na administração do estádio.
A médica não registrou boletim de ocorrência no local, o que é um direito da vítima. A informação é de que, após o episódio, ela preferiu deixar o estádio o mais rápido possível.
O Comercial divulgou nota oficial repudiando o ocorrido. A Federação Paulista de Futebol também se manifestou e informou que o caso será encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva para análise.
Debate
Para o comentarista João Túbero, o episódio reflete um problema recorrente no ambiente do futebol.
“Isso demonstra o quanto a cultura do futebol ainda é machista. Quando não é com uma médica, é com a árbitra ou com a assistente. É um ambiente que muitas vezes ainda é inóspito para as mulheres.”
Ele também afirmou que casos como esse mostram a necessidade de mudanças no comportamento dentro dos estádios.
“As pessoas não podem tratar o estádio como um ambiente de impunidade, em que se pode cometer qualquer tipo de preconceito ou assédio sem consequência.”



