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Médica revela detalhes de assédio sofrido em jogo no estádio do Comercial e caso pode gerar punições

Torcedor foi identificado pelo clube e episódio no Palma Travassos deverá ser analisado nas esferas criminal e desportiva
médica
Foto: Reprodução / EPTV

O caso de assédio registrado no último sábado durante a partida entre Comercial e Nacional, no Estádio Palma Travassos, segue repercutindo e pode ter desdobramentos tanto na Justiça comum quanto na esfera esportiva.

A vítima foi a médica Bianca Francelino, profissional de Ribeirão Preto que prestava serviço ao Nacional na partida válida pela Campeonato Paulista Série A4.

Relato

Em entrevista à EPTV, Bianca relatou que o comportamento de um torcedor começou com comentários e insinuações de cunho sexual e evoluiu para um episódio de assédio.

“Começou com brincadeiras mais sujas e sugestivas. Ele me pedia para examinar a parte íntima, falava ‘doutora gostosa, vem me examinar’, apontando para a parte íntima.”

Segundo a médica, ela tentou evitar qualquer interação, mas o torcedor continuou insistindo, inclusive pedindo contato nas redes sociais e fazendo comentários sobre pagamento para atendimentos particulares.

O episódio gerou revolta entre integrantes da delegação do Nacional, que foram até o alambrado pedir que o torcedor parasse com as ofensas. A situação acabou evoluindo para uma discussão envolvendo torcedores.

Repercussão

Bianca afirmou que o episódio não terminou no estádio. Após o jogo, ela passou a receber mensagens nas redes sociais, algumas de apoio e outras com novos ataques.

“O assédio não se limitou ao campo. Muitos homens começaram a seguir e mandar mensagens. Tive que privar minhas redes sociais por um tempo.”

Ela também criticou comentários que questionaram a presença de mulheres no ambiente do futebol.

“Para muita gente ainda é normal um homem expor as partes íntimas para uma mulher trabalhando, mas o que não seria normal é uma mulher estar ali trabalhando.”

Possíveis punições

O Comercial informou que conseguiu identificar o torcedor após o jogo e repassou os dados à Federação Paulista de Futebol.

De acordo com o advogado Vitor Silva Muniz, presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB de Ribeirão Preto, o caso pode ter consequências em duas frentes.

Na esfera criminal, o torcedor pode responder pelo crime de assédio. Já na Justiça Desportiva, o clube pode ser punido.

“O clube pode ser responsabilizado com multa entre R$ 100 e R$ 100 mil. O torcedor, sendo identificado, pode ser proibido de entrar em estádios por no mínimo 720 dias.”

O caso deverá ser analisado pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo.

Debate

Para o comentarista João Túbero, situações como essa mostram que o combate a esse tipo de comportamento precisa envolver também os próprios torcedores.

Segundo ele, episódios de assédio no futebol só deixarão de acontecer quando houver reação coletiva dentro dos estádios contra atitudes desse tipo.

A médica afirmou que pretende seguir trabalhando no esporte e espera que o caso sirva para reduzir a repetição de situações semelhantes no futebol.

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