Em desenvolvimento há pouco mais de 15 anos, remédio será testados em humanos em breve, na Inglaterra
Pesquisadores brasileiros, ingleses e neozelandeses estão testando um novo medicamento para combater a hipertensão arterial por meio de um mecanismo inovador. Se comprovada sua eficácia e segurança, a terapia poderá beneficiar também pacientes com hipertensão resistente aos tratamentos atuais.
Novos Alvos para o Tratamento da Hipertensão
O estudo, iniciado há mais de 15 anos, concentra-se nos receptores purinérgicos, que respondem à adenosina trifosfato (ATP), a fonte de energia celular. A pesquisa envolve a caracterização dos efeitos desses receptores e o desenvolvimento de um medicamento que inibe sua atividade. Testes em células do corpúsculo carotídeo, um pequeno órgão nas artérias carótidas, tanto em humanos quanto em animais, mostraram resultados promissores.
Mecanismo de Ação do Medicamento
Esses estudos revelaram que a queda na oxigenação ativa as células do corpúsculo carotídeo, enviando sinais de alerta ao cérebro. Este mecanismo é crucial em situações como a apneia obstrutiva do sono, onde a diminuição do oxigênio no sangue ativa a resposta simpática, elevando a pressão arterial. O novo medicamento atua diminuindo a atividade dessas células, reduzindo a quantidade de sinais enviados ao cérebro e, consequentemente, minimizando as alterações na pressão arterial. Este mecanismo difere dos tratamentos atuais, que focam no bloqueio da atividade simpática nos vasos sanguíneos e no coração.
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Resultados e Próximos Passos
Testes em animais demonstraram a eficácia do medicamento na redução da pressão arterial após infusão intravenosa. Estudos clínicos em humanos estão sendo planejados na Inglaterra, com testes já em andamento para um composto similar no tratamento de tosse crônica, condição também relacionada à hiperatividade dos receptores purinérgicos. A pesquisa representa um avanço significativo no tratamento da hipertensão, focando na origem do problema e oferecendo uma nova abordagem terapêutica.


