Medicamentos usados no tratamento de doenças como Parkinson e síndrome das pernas inquietas podem provocar mudanças comportamentais em alguns pacientes. Entre os efeitos relatados estão o aumento de compulsões, como apostas online, compras excessivas e alterações no comportamento.
Segundo o professor e pesquisador da Unesp, Vítor Ingrácia Valente, esses remédios atuam diretamente na dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer e recompensa no cérebro. Embora os casos não ocorram com todos os pacientes, especialistas alertam para a necessidade de acompanhamento médico e atenção de familiares diante de sinais de mudanças bruscas de comportamento.
Efeito colateral
De acordo com o pesquisador, medicamentos como pramipexol, ropinirol, rotigotina e apomorfina já trazem em bula a possibilidade de efeitos comportamentais. Isso acontece porque essas substâncias estimulam áreas do cérebro associadas ao prazer, o que pode intensificar hábitos que antes eram controlados, transformando-os em comportamentos compulsivos.
O especialista destaca que o risco existe, mas que a prescrição desses medicamentos considera a relação entre benefício e possível efeito adverso, sendo indicada quando os ganhos ao paciente são maiores.
Sinais de alerta
Pacientes que já apresentam algum tipo de comportamento impulsivo podem ter maior predisposição a desenvolver esses efeitos. Por isso, a observação de familiares é considerada fundamental durante o tratamento. Entre os sinais de alerta estão gastos excessivos e ocultos, aumento repentino de apostas, mudanças no comportamento sexual, irritabilidade e uso excessivo de aplicativos ou atividades de risco.
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Caso esses sintomas sejam identificados, a recomendação é procurar o médico responsável para reavaliar o tratamento e evitar prejuízos à saúde e à vida financeira do paciente.
Segundo o especialista, possíveis ajustes no tratamento incluem a redução da dose ou a substituição do medicamento, sempre com orientação médica. Além disso, o acompanhamento psicológico é considerado essencial para lidar com os impactos comportamentais e ajudar no controle das compulsões.
A orientação é que o tratamento seja multidisciplinar, combinando medicamentos e terapias não farmacológicas, com monitoramento contínuo para garantir a segurança do paciente.



