Atestados falsos e até acusação de omissão de socorro em uma morte estavam na identidade do profissional
O médico Fábio Garrido, residente em Ribeirão Preto, foi intimado a prestar depoimento em um processo que investiga a morte de um paciente ocorrida no pronto-socorro de Itaquera, em São Paulo. O caso ganhou contornos ainda mais complexos, pois o médico já havia registrado um boletim de ocorrência em 2014, alertando sobre o uso de atestados médicos falsificados com sua assinatura e carimbo.
A Descoberta dos Atestados Falsos
Em 2014, Garrido foi contatado por um empresário paulista que havia identificado atestados médicos suspeitos apresentados por um funcionário. Ao ser questionado, o médico negou ter emitido os atestados e afirmou nunca ter trabalhado no pronto-socorro de Itaquera. A situação levou à demissão do funcionário e ao registro de um boletim de ocorrência por parte do médico.
Intimação e a Surpresa da Acusação
Recentemente, ao retornar de férias, Garrido recebeu uma intimação para depor em um processo judicial relacionado ao óbito de um paciente atendido em 2012 no mesmo pronto-socorro. O médico alega nunca ter trabalhado no local e questiona como seu nome foi associado ao caso. Ele tentou obter informações na capital paulista sobre a possível atuação de um falso médico, mas não obteve sucesso.
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Busca por Esclarecimentos e o Alerta do Cremesp
Diante da situação, Garrido pretende recorrer ao Conselho Regional de Medicina (Cremesp) para esclarecer o caso e apurar a possível atuação de um impostor. Ao entrar em contato com o pronto-socorro, foi informado de que um médico com seu nome estaria de folga. O Cremesp, por meio do delegado superintendente Angelo Mário Sarte, alerta para o crescente número de falsos médicos e atestados clonados, inclusive em regiões tidas como bem fiscalizadas. A Secretaria de Saúde de São Paulo informou que o pronto-socorro de Itaquera realiza 100% de atendimentos particulares. O hospital não se manifestou sobre o caso.
O caso levanta sérias questões sobre a segurança e a fiscalização da prática médica, bem como os riscos da falsificação de documentos.



