Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
As recentes medidas adotadas pelos governos federal e estadual em relação ao setor sucroenergético prometem um impacto significativo, especialmente para a região de Ribeirão Preto, que tem sofrido bastante nos últimos anos. Essas mudanças sinalizam uma nova perspectiva para o setor neste ano.
Medidas Governamentais e Competitividade do Álcool
Uma série de medidas pleiteadas pelo setor e estudadas pelos governos foram finalmente adotadas, melhorando a perspectiva de forma notável. A volta da cobrança da CIDE na gasolina, por exemplo, aumenta a competitividade do álcool. O aumento da mistura do álcool na gasolina para 27% também impulsiona o consumo, com um acréscimo estimado entre 850 milhões e 1 bilhão de litros anuais. Considerando que o Brasil consome cerca de 28 bilhões de litros anualmente, o impacto dessa medida é considerável.
Recuperação do Preço do Petróleo e Ações Estaduais
Embora o preço do petróleo ainda esteja abaixo dos valores históricos, houve uma recuperação importante, com um aumento de 7% apenas neste mês, atingindo a faixa de 55 a 56 dólares o barril. Essa recuperação também contribui para um cenário mais favorável ao setor. Além disso, o governo de Minas Gerais reduziu o impacto do ICMS sobre o etanol, seguindo o exemplo de outros estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que melhora a competitividade do produto.
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Perspectivas para o Setor Sucroenergético
Essas mudanças trazem um alento para o setor, que enfrentou dificuldades nos últimos quatro anos. A expectativa é que o resultado operacional das empresas do setor seja significativamente positivo este ano. Embora algumas usinas ainda estejam em recuperação judicial ou com alto endividamento, a perspectiva é de que a receita menos as despesas apresentem um cenário muito melhor, aliviando os impactos negativos. Acreditamos que o setor tem espaço para se recuperar e apresentar resultados melhores nos próximos meses.
O ajuste econômico em curso, embora cause impactos imediatos, pode levar a uma recuperação mais rápida a partir de março ou abril. A capacidade de consumo das famílias e empresas brasileiras permanece alta, e a correção do preço do dólar, que atingiu a maior cotação dos últimos 10 anos, deve encontrar um ponto de equilíbrio em breve.