Quem explica é a mestra em linguística e língua portuguesa Lígia Boareto na coluna ‘CBN Papo Certo’
Nesta quinta-feira, a mestre em Linguística e Língua Portuguesa Lígia Boareto esclareceu dúvidas sobre o uso do verbo “haver”.
O verbo “haver” no sentido de existir
O verbo “haver”, quando empregado com o sentido de existir, permanece sempre no singular, independentemente do número do substantivo a que se refere. Lígia exemplificou com a música de Marisa Monte: “Mas já não há caminhos pra voltar”. Mesmo com o plural “caminhos”, o verbo “haver” permanece no singular porque indica existência.
Flexão do verbo “haver” em diferentes tempos verbais
A regra do singular se mantém em todos os tempos verbais. Assim, as formas corretas são: “já não houve caminhos”, “já não haverá caminhos”. Usar “haverão” está incorreto. Lígia destacou que esse erro é comum, mas significativo, sendo penalizado em provas e redações.
Dicas para evitar erros com o verbo “haver”
Para evitar o erro, Lígia sugeriu a substituição do verbo “haver” por “ter” ou “existir”. Se a substituição funcionar sem alterar o sentido da frase, o verbo “haver” deve ser usado no singular. Por exemplo, em vez de “Havia vagas”, pode-se dizer “Tinha vagas” ou “Existiam vagas”. A troca facilita a identificação do erro. A especialista também alertou que, embora o corretor ortográfico muitas vezes não identifique o erro, ele é perceptível para quem domina a norma culta da língua portuguesa.
Lígia Boareto finalizou a discussão ressaltando a importância da norma culta, especialmente em contextos formais como provas e redações. A utilização correta do verbo “haver” demonstra domínio da língua e evita a perda de pontos em avaliações. A música de Marisa Monte serve como um bom recurso memorístico para fixar a regra.