Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
A crescente população mundial impõe um desafio constante: como produzir alimentos suficientes para atender à demanda sem comprometer ainda mais o meio ambiente? Essa questão central permeia debates globais, como os da COP21, na França, onde se discutem medidas para mitigar a erosão, a poluição, os impactos da ação humana e do efeito estufa no clima.
A Tragédia de Mariana e a Falta de Resposta Imediata
A tragédia de Mariana, que afetou Minas Gerais e o Espírito Santo, exemplifica os graves impactos da exploração de recursos naturais. A demora na resposta do poder público, especialmente nos primeiros momentos após o desastre, é alarmante. A comparação com a agilidade na reação a eventos internacionais evidencia uma disparidade preocupante no tratamento de tragédias nacionais.
Recursos Naturais vs. Recursos Ambientais: Um Desequilíbrio Perigoso
É crucial distinguir entre recursos naturais (utilizados indiretamente na produção, como minérios e combustíveis fósseis) e recursos ambientais (utilizados diretamente, como água e ar). Nos últimos 300 anos, desde a Revolução Industrial, o uso intensivo de recursos naturais tem gerado um desequilíbrio, resultando em externalidades negativas como poluição, mudanças climáticas e perda de biodiversidade.
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Impactos Socioeconômicos e a Necessidade de Fiscalização
A contaminação do Rio Doce, por exemplo, impactou diretamente pequenos produtores e pescadores, comprometendo suas atividades econômicas e meios de subsistência. A ausência de uma fiscalização eficaz por parte do governo e a resposta inicial inadequada agravaram a situação. A recuperação da área afetada levará anos, e a falta de medidas preventivas eficazes aumenta o risco de novas tragédias.
O ocorrido demonstra a urgência de repensarmos a forma como exploramos os recursos naturais e a importância de uma atuação mais rigorosa do Estado na fiscalização e prevenção de desastres ambientais.