Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A morte trágica de Gabriel Vinicius Santos da Silva, de apenas seis anos, em Matão, reacende o debate sobre a rapidez e precisão no diagnóstico de picadas de animais peçonhentos. O menino, que estava na casa de sua tia no Jardim Paraíso, foi inicialmente tratado por suspeita de diabetes, antes de se descobrir que a causa real era uma picada de escorpião.
A Saga em Busca do Diagnóstico Correto
Claudinei de Santos, tia de Gabriel, relatou que o levou para comprar materiais escolares e, ao retornar, percebeu que o sobrinho estava muito mal. Os primeiros sintomas incluíam vômitos, convulsões e um estado geral de prostração. Levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), exames apontaram para um nível elevado de glicose, levando a equipe médica a suspeitar de diabetes e iniciar a administração de insulina.
Transferência e a Descoberta Tardia
Apesar dos esforços iniciais, o quadro de Gabriel não apresentava melhora. Diante da persistência dos sintomas e da ineficácia do tratamento para diabetes, ele foi transferido para a Santa Casa. Lá, os médicos continuaram a focar no diagnóstico inicial, até que o menino começou a vomitar sangue e perder a consciência. Durante a transferência para Matão, Gabriel mencionou aos médicos na ambulância que havia sido picado por um “bichinho”. Essa informação crucial levou a uma mudança na investigação, confirmando a picada de escorpião.
O Antídoto e a Fatalidade
Fátima Caetano, secretária da Saúde de Shinga, afirmou que o município dispõe do antídoto para o veneno de escorpião, mas ele não foi utilizado inicialmente devido ao diagnóstico equivocado. Segundo ela, todas as providências possíveis foram tomadas, mas, infelizmente, a criança não resistiu. Um ex-médico de Matão ponderou que, quando o diagnóstico correto foi feito, o veneno já poderia estar em um estágio avançado no organismo de Gabriel.
Apesar da disponibilidade do soro antiescorpiônico no município e de outros casos terem sido tratados com sucesso, a demora no diagnóstico de Gabriel teve um desfecho lamentável. O caso serve de alerta para a importância de considerar todas as possibilidades em situações de emergência, especialmente em regiões com alta incidência de animais peçonhentos.



