Ouça o 2º bloco do programa de 15 de março
O programa Almanaque CBN deste sábado dedicou o espaço a discutir o papel do jovem no mercado de trabalho brasileiro. Participaram do debate Adriel Luis Genaro, supervisor do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE); Carlos Eduardo Lopes, psicólogo do Instituto de Psicologia Avançada de Ribeirão Preto; e Dimas Facioli, especialista em recursos humanos. Os três especialistas analisaram os entraves que impedem a inserção profissional dos jovens e sugeriram caminhos para reverter o quadro.
Educação em declínio e impactos nas contratações
Os debatedores apontaram a queda da qualidade do ensino como um dos principais obstáculos à formação de jovens qualificados. Sem uma base educacional sólida, segundo o painel, aumenta a dificuldade de preparar candidatos para as demandas do mercado. Dimas Facioli destacou que, embora empresas contratem consultorias e busquem talentos em universidades, essas iniciativas não bastam para solucionar o problema no médio prazo.
Ele acrescentou que há uma crise de liderança e falta de profissionais para funções básicas, e criticou abordagens excessivamente individualistas que limitam avanços estruturais. Para os participantes, a resposta passa por estratégias articuladas entre família, escola e empresas, com políticas públicas e privadas alinhadas.
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Importância do estímulo na primeira infância
Carlos Eduardo Lopes enfatizou a relevância dos primeiros sete anos de vida para o desenvolvimento cognitivo e social. Segundo ele, a educação infantil deixou de ser apenas um serviço de cuidado e passa a ser um espaço decisivo de estímulos que favorecem a socialização e a flexibilidade — competências cada vez mais valorizadas pelos empregadores.
O contato precoce com outras crianças e a oferta de estímulos apropriados influenciam a capacidade de adaptação e a formação de habilidades socioemocionais, como relacionamento interpessoal e resiliência, itens apontados pelos especialistas como diferenciais no ambiente profissional.
Perfis juvenis e responsabilidades das empresas
Adriel Luis Genaro observou que, apesar da conectividade digital, muitos jovens relatam sensação de solidão e buscam no trabalho referências como instrutores e supervisores. Por isso, defendeu a ampliação de programas de aprendizagem com tutoria para facilitar a transição ao mundo corporativo.
Os debatedores também ressaltaram a diversidade de perfis entre os jovens: há quem tenha clareza sobre escolhas profissionais e quem precise de maior orientação. Esse quadro demanda políticas de inclusão e desenvolvimento contínuo por parte das empresas, que devem oferecer suporte mais atento e programas de formação estruturados.
Ao final do debate, ficou claro que o sucesso dos jovens no mercado depende de objetivos bem definidos, paixão pelo que fazem e competências de autoconhecimento e relacionamento — responsabilidades que precisam ser divididas entre famílias, escolas e empregadores para promover inclusão e desenvolvimento sustentável.



