O mercado imobiliário de Ribeirão Preto fechou o último ano com saldo positivo e forte movimentação de negócios, mesmo diante de um cenário econômico ainda desafiador. Os dados foram apresentados pelo presidente do CRECISP, José Augusto Viana Neto, em entrevista ao Manhã CBN.
Segundo ele, a cidade segue como um dos polos mais ativos do setor no interior paulista, com volume expressivo de compras, vendas e locações. A maior parte das transações está concentrada em imóveis de menor valor, especialmente aqueles enquadrados nas regras do programa Minha Casa, Minha Vida.
Perfil de compra
A pesquisa aponta que 36,6% dos imóveis comercializados em Ribeirão Preto custaram entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. Essa faixa de preço concentra o maior número de negócios realizados ao longo do ano.
Em relação ao tipo de imóvel, os apartamentos responderam por 54% das vendas, enquanto as casas ficaram com 46%. Para José Augusto, essa preferência está mais ligada a fatores econômicos do que comportamentais.
Segundo ele, apartamentos costumam ter valor total mais baixo, além de maior facilidade de financiamento, especialmente por meio da Caixa Econômica Federal. Já a compra de casas envolve processos mais individualizados de avaliação, o que pode encarecer e atrasar a liberação do crédito.
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Questão econômica
Apesar da leve vantagem dos apartamentos, o presidente do CRECISP destacou que a preferência por casas poderia ser maior caso as condições de financiamento fossem semelhantes. Ele lembrou que, durante a pandemia, houve uma migração significativa de moradores de apartamentos para casas, motivada pela busca por mais espaço e qualidade de vida.
Além da questão financeira, fatores como segurança e praticidade também influenciam a escolha. Com menos espaço para manutenção e limpeza, os apartamentos acabam sendo vistos como opções mais funcionais para muitas famílias.
Mercado de locação
No setor de locações, os dados mostram retração em dezembro em relação ao mês anterior, o que é atribuído à sazonalidade e à reorganização financeira das famílias no fim do ano. Ainda assim, o mercado se manteve equilibrado, com divisão praticamente igual entre casas e apartamentos.
A maioria dos contratos de aluguel está concentrada em valores de até R$ 1.000, indicando um perfil predominantemente popular. Segundo José Augusto, imóveis com aluguel entre R$ 2.000 e R$ 3.000 representam apenas 13,3% das locações, geralmente ocupados por executivos ou profissionais que permanecem temporariamente na cidade.
A localização também reforça esse perfil: 42% dos imóveis alugados estão situados em regiões periféricas, enquanto áreas centrais e nobres concentram menor volume de contratos.
Garantia locatícia
Um dado que chamou atenção na pesquisa foi o modelo de garantia utilizado nos contratos de locação. Ribeirão Preto apresentou predominância do fiador, presente em 57,9% dos contratos, índice considerado alto para uma cidade de grande porte.
O seguro-fiança apareceu em segundo lugar, com 36,8%, enquanto o depósito caução representou apenas 5,3%. Para o presidente do CRECISP, esse cenário indica um perfil mais tradicional da cidade, com forte presença de vínculos familiares e redes de apoio locais.
Expectativa para 2026
Para 2026, a expectativa do setor é de crescimento, principalmente no mercado de vendas. A projeção está ligada à possibilidade de queda da taxa básica de juros, o que pode reduzir os custos do financiamento imobiliário.
José Augusto avalia que mesmo uma pequena redução na taxa de juros pode ampliar significativamente o número de pessoas aptas a comprar um imóvel, especialmente em um cenário de emprego em níveis elevados. A locação, por outro lado, deve continuar pressionada pela baixa oferta de imóveis frente à alta procura, mantendo os preços em trajetória de alta.



