Iniciativas visam mudar não só a estrutura física do negócio, mas a mentalidade dos colaboradores; ouça a coluna ‘CBN Empreende’
A inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) no mercado de trabalho e na sociedade tem ganhado destaque em debates recentes, Mercado inclusivo! Empresas investem cada vez mais em acessibilidade!, especialmente após os Jogos Paralímpicos de Paris, onde atletas brasileiros se destacam no quadro geral de medalhas. Segundo dados de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), realizada pela Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com o IBGE, o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência física, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo.
Desafios educacionais e de emprego: Apesar da representatividade, a população PCD enfrenta desafios significativos. A taxa de analfabetismo entre essas pessoas é de 19,5%. Entre os que frequentaram a escola, apenas 11% concluíram o ensino fundamental ou têm o ensino médio incompleto, e somente 7% alcançaram o ensino superior. No mercado de trabalho, apenas 26,6% das pessoas com deficiência estão empregadas, e mais da metade desses trabalhadores atuam na informalidade.
Legislação e inclusão nas empresas
Desde 1991, a Lei nº 8.213 obriga empresas com 100 ou mais funcionários a preencher entre 2% e 5% de seus quadros com pessoas com deficiência ou beneficiários reabilitados. Embora essa legislação tenha contribuído para aumentar a inclusão, ainda há um longo caminho para garantir condições adequadas de trabalho e vida para esse grupo. Entre os principais obstáculos enfrentados estão a falta de oportunidades, baixos salários, dificuldades de locomoção e casos de bullying.
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Investimentos e iniciativas para acessibilidade: Atualmente, diversas empresas têm investido em acessibilidade, especialmente nos setores de turismo e varejo, buscando ampliar a inclusão tanto de clientes quanto de colaboradores com deficiência. É fundamental que as organizações que adotam essas políticas também promovam treinamentos para seus funcionários, a fim de garantir um ambiente acolhedor e inclusivo, evitando a exclusão de pessoas que necessitam de adaptações.
Inovação e oportunidades de negócios: O empreendedorismo voltado para PCDs é uma área com potencial significativo. Um exemplo é uma startup que desenvolveu um plugin para navegadores de internet, utilizando inteligência artificial para orientar pessoas com deficiência visual, em parceria com a Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto. Outra iniciativa é a startup Inclui, que oferece informações sobre estabelecimentos comerciais adaptados para atender pessoas com deficiência, facilitando a experiência de consumo desse público.
Além das startups, profissionais de saúde e empreendedores podem criar redes de serviços especializados, como cuidadores para PCDs, ampliando o suporte necessário para essa população. Adaptar estabelecimentos comerciais para receber esse público, conforme previsto no Decreto nº 5.296/2004, que exige serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva, como intérpretes de Libras, é uma medida importante. Treinamentos acessíveis e de baixo custo para funcionários são recomendados para garantir a efetividade dessas adaptações.
Responsabilidade social e vantagens para empresas
Investir em acessibilidade e inclusão não deve ser visto apenas como uma obrigação legal, mas como uma oportunidade de negócio e responsabilidade social. A Lei nº 10.098/2004 estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade, incluindo adaptações físicas como banheiros e rampas. Essas medidas geram uma cadeia produtiva que envolve indústria e serviços, promovendo inovação e crescimento econômico.
Empresas que adotam práticas inclusivas são reconhecidas positivamente pelo mercado e pela sociedade, o que pode melhorar sua imagem e competitividade. A inclusão de PCDs contribui para a construção de um ambiente mais justo e igualitário, beneficiando não apenas os indivíduos diretamente envolvidos, mas toda a comunidade.
Panorama
Embora as leis brasileiras garantam direitos às pessoas com deficiência, o país ainda enfrenta desafios para oferecer igualdade de condições. Com quase 20% da população nessa condição, é essencial que o setor público e privado trabalhem juntos para ampliar a inclusão por meio de políticas, treinamentos e inovações tecnológicas. Reconhecer as dificuldades enfrentadas por esse grupo e investir em soluções é fundamental para promover uma sociedade mais inclusiva e economicamente sustentável.