No ‘Conexão CBN’, Thiago Fernandes, fala sobre a importância desse aporte, que tem foco em logística, tecnologia e anúncios
O Mercado Livre anunciou um aporte de R$ 23 bilhões para ampliar seu ecossistema no Brasil, com foco em logística, tecnologia e publicidade. A movimentação do maior e-commerce nacional reacende o debate sobre a diferença entre negócios digitais e varejo tradicional, em um cenário em que a compra online se consolidou desde a pandemia.
Investimento bilionário e ênfase na logística
Segundo informações divulgadas, grande parte dos R$ 23 bilhões será destinada à cadeia de entregas. Ao longo dos últimos anos o setor logístico do e-commerce evoluiu rapidamente: o Mercado Livre já opera frotas variadas — incluindo aviões, carros e motos — e garante prazos de entrega que, em grandes centros, podem chegar a 24 horas. A intenção anunciada é reduzir ainda mais atrasos e custos de frete, que continuam sendo um dos principais fatores de abandono de compra no comércio eletrônico.
Além das operações físicas, o plano prevê investimentos em tecnologia para tornar a plataforma mais fluida e em anúncios para ampliar a visibilidade de vendedores e produtos dentro do site.
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Varejo físico em tensão e modelos híbridos
Enquanto o Mercado Livre amplia apostas no digital, redes do varejo físico enfrentam dificuldades. Como exemplo, foi citada a situação das Casas Bahia, que tem passado por fechamento de unidades, desligamentos de colaboradores — com números que chegaram a mais de 8 mil desligamentos — e queda no valor das ações. O contraste evidencia uma tendência de mercado: empresas que combinam forte presença digital tendem a ter maior resiliência diante das mudanças de comportamento do consumidor.
O chamado modelo omnichannel, em que a compra é feita online e o produto pode ser retirado em loja física (click-and-collect), cresce entre varejistas como Magazine Luiza e Americanas. Esse formato não se aplica ao Mercado Livre, que não possui lojas para retirada, mas mira na aceleração das entregas ao domicílio.
Consumidor apressa a entrega e oportunidades para vendedores
O hábito de comprar pela internet permaneceu desde a pandemia e o consumidor cada vez mais busca conveniência e rapidez. Em regiões metropolitanas, a entrega no mesmo dia já é realidade em alguns mercados internacionais, e especialistas e executivos discutem a viabilidade de ampliar esse padrão no Brasil.
Uma dica prática levantada durante a discussão foi que novos vendedores podem começar por abrir uma loja no Mercado Livre gratuitamente, aproveitando a infraestrutura da plataforma para obter renda extra e testar o fluxo do comércio eletrônico.
O episódio também trouxe relatos da ponta logística: um entregador que trabalha com cargas do Mercado Livre exemplificou a complexidade e a abrangência das rotas entre cidades como Ribeirão Preto e Campinas, reforçando a ideia de que o diferencial competitivo atual passa pelos prazos de entrega.
As mudanças confirmam que o comércio brasileiro vive uma transição em que rapidez, tecnologia e integração entre canais serão fatores determinantes para quem quiser se destacar.