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Meritocracia… você provavelmente já ouviu falar, mas sabe do que se trata?

Sistema premia o individuo que apresenta bons resultados; ouça a coluna 'Oficina de Palavras' com Luiz Puntel
Meritocracia... você provavelmente já ouviu falar
Sistema premia o individuo que apresenta bons resultados; ouça a coluna 'Oficina de Palavras' com Luiz Puntel

Sistema premia o individuo que apresenta bons resultados; ouça a coluna ‘Oficina de Palavras’ com Luiz Puntel

O debate sobre meritocracia voltou a ocupar espaço nas conversas públicas com questionamentos sobre sua validade como critério único de distribuição de oportunidades. Para o professor e mestre em literatura Luiz Puntel, a metáfora literária ajuda a revelar a complexidade de um sistema que pressupõe que o sucesso depende apenas do esforço individual.

A metáfora das batatas

Puntel recorre à obra de Machado de Assis, especialmente a passagem de Memórias Póstumas de Brás Cubas em que a expressão “ao vencedor as batatas” é explicada por Quim Casborba. No episódio, duas tribos atravessam uma cadeia montanhosa em busca de alimentos. A plantação encontrada não é suficiente para ambas, e a sobrevivência fica condicionada à vitória de uma sobre a outra. A imagem ilustra um cenário de recursos limitados em que só parte dos competidores pode ser beneficiada — visão que alimenta a lógica meritocrática.

Vozes críticas e dados sobre exclusão

Ao lado de Puntel, a escritora Conceição Evaristo oferece um contraponto a esse ideal. Nascida em condições de pobreza e hoje doutora e autora reconhecida, ela lembra que trajetórias de ascensão são exceções e não a regra. Segundo dados citados por Conceição, cerca de 70% dos jovens em idade escolar já estão excluídos do sistema educacional por motivos como necessidade de trabalho precoce ou falta de acesso a escolas de qualidade. Essa exclusão torna o ponto de partida desigual e limita severamente quem pode disputar as oportunidades que o discurso meritocrático promete.

Implicações para a discussão pública

Puntel alerta para o risco de a meritocracia servir de justificativa para as desigualdades: ao responsabilizar exclusivamente o indivíduo pelo insucesso, essa narrativa pode ocultar barreiras estruturais que impedem a competição em pé de igualdade. Em um país com profundas diferenças no acesso à educação e aos recursos, a metáfora machadiana funciona como convite a repensar os critérios que definem quem “merece” e quem fica à margem.

Repensar a meritocracia implica, na prática, olhar para políticas que reduzam desigualdades de ponto de partida — desde investimento em educação básica de qualidade até medidas que ampliem o acesso a oportunidades. O debate, alimentado por referências literárias e relatos pessoais, aponta para a necessidade de uma leitura mais crítica sobre mérito, responsabilidade e justiça social.

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