Valdes Bollela acredita que o país pode estar vivendo a segunda onda da doença
Nesta entrevista exclusiva, conversamos com o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Dr. Valdes Bolela, sobre o agravamento da pandemia de coronavírus.
Aumento de Casos e Internações
O Dr. Bolela relata um aumento progressivo no número de casos confirmados, internações e ocupação de leitos de enfermaria e UTI. A situação é preocupante tanto na rede pública quanto na privada, com a necessidade de abertura de leitos além da capacidade do ano passado. A expectativa é de uma fase igual ou pior que o pior momento de 2020, com a média móvel de casos no Brasil acima de mil e Ribeirão Preto ainda sem atingir o pico.
A Importância da Conscientização e o Desafio dos Negacionistas
O infectologista destaca a dificuldade em conscientizar a população sobre a gravidade da situação. Apesar de muitos seguirem as recomendações, uma parcela significativa ainda se expõe ao vírus, colocando em risco a si e aos outros. A falta de conscientização é agravada pela postura de parte das autoridades, limitando as ações de contenção e forçando o foco na minimização de danos. O Dr. Bolela lamenta a falta de percepção de muitos, que só se conscientizam após a perda de entes queridos.
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Medidas Restritivas e a Necessidade de Mudança de Comportamento
Sobre as medidas restritivas, como a volta à fase vermelha em Ribeirão Preto, o Dr. Bolela afirma que elas têm efeito em situações críticas, mas são passageiras enquanto a conscientização coletiva não for alcançada. A vacinação ajudará, mas a previsão é de que uma porcentagem significativa da população só seja imunizada em mais de um ou dois anos. O especialista enfatiza que o controle da pandemia depende da responsabilidade individual e coletiva, com o cumprimento de medidas de proteção em todos os ambientes, não apenas em situações controladas como vestibulares ou ENEM. Enquanto o comportamento individual não mudar, o ciclo de ondas de contaminação continuará, e a situação permanecerá grave.
A entrevista finaliza com a constatação da longa batalha pela frente e a necessidade de responsabilidade individual e coletiva no combate à pandemia.



