Produtos como manteiga e requeijão contam com processos mais caros para fabricação; período de entressafra também impacta valor
O preço do leite longa-vida permanece estável nos últimos meses, segundo consumidores que notam pouca variação nas prateleiras. Ainda assim, derivados do leite, como a manteiga, registraram aumento nos valores, elevando a preocupação entre clientes e comerciantes.
Estabilidade do leite longa-vida
Para Antônio 90, gerente de uma rede de supermercados, a estabilidade do leite longa-vida está ligada à sua condição de produto commoditizado. “O leite é um produto simples: passa por aquecimento e resfriamento e é embalado. O processo é mais direto”, explica. Ele aponta também que a entrada de importações ajudou a segurar o preço final do produto no mercado interno.
Custos e pressão sobre os derivados
Os subprodutos lácteos, por outro lado, sofrem com uma composição de custos distinta. “Itens como manteiga demandam mais mão de obra, mais embalagens e consumo elevado de energia, por serem produtos altamente refrigerados e sensíveis”, diz Antônio. Esses insumos e processos adicionais tornam os preços mais voláteis e sujeitos a elevações mesmo quando o leite longa-vida permanece estável.
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Perspectiva para os preços
O gerente alerta para um fator sazonal: a chegada do pico de entre-safra em grandes estados produtores, quando o volume de leite coletado tende a cair. Segundo ele, essa redução de oferta frequentemente provoca alta nos preços. Produtores vêm se queixando das importações e já promovem reuniões com o governo na tentativa de limitar a entrada de produtos estrangeiros, alegando que isso pressiona seus custos e inviabiliza a manutenção de preços domésticos.
Em resumo, especialistas do setor e comerciantes esperam um período de aumentos nos preços dos derivados, ainda que o leite longa-vida tenha se mantido relativamente estável até o momento.



