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Mesmo sendo maioria, população negra ainda luta por equidade social no Brasil

Sobre os pontos que ainda precisam ser debatidos, ouça a membro da Comissão de Igualdade Racial da OAB, Mariane Paz
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Sobre os pontos que ainda precisam ser debatidos, ouça a membro da Comissão de Igualdade Racial da OAB, Mariane Paz

Sobre os pontos que ainda precisam ser debatidos, ouça a membro da Comissão de Igualdade Racial da OAB, Mariane Paz

Em comemoração ao Dia da Mulher Negra, celebrado em 25 de julho, a advogada Mariane Paz, membro da Comissão de Igualdade Racial e da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da 12ª subseção de Ribeirão Preto da OAB, concedeu entrevista ao Giro CBN para discutir os desafios enfrentados por mulheres negras no Brasil.

Desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras

Mariane Paz destaca que, apesar de as pessoas negras corresponderem a 53% da população brasileira (cerca de 97 milhões), ainda existe uma luta significativa para eliminar as desigualdades e a discriminação. Para as mulheres negras, o abismo é ainda maior, com sub-representação em diversos setores da sociedade, incluindo o legislativo, executivo, judiciário e a mídia. A advogada aponta a questão do trabalho como o maior desafio atual, com altas taxas de desocupação, subocupação e subutilização entre as mulheres negras. A precarização do trabalho e a uberização, que impulsiona o microempreendedorismo, contribuem para a situação, muitas vezes sem carteira assinada e com rendimentos abaixo do salário mínimo.

A realidade em Ribeirão Preto

Questionada sobre a realidade em Ribeirão Preto, Mariane Paz afirma que a cidade não foge ao contexto social do país. Os dados sobre violência, escolaridade e chefia de família demonstram as disparidades. A advogada ressalta que a forma como a sociedade enxerga as mulheres negras impacta diretamente suas subjetividades, com o corpo da mulher negra historicamente hipersexualizado e sujeito a processos de desumanização. Por isso, a necessidade de políticas públicas específicas, pois políticas gerais tendem a beneficiar mais as mulheres brancas.

Conquistas e o caminho a seguir

Sobre as conquistas, Mariane Paz reconhece avanços pontuais, como melhorias no cenário político com o aumento da representação de mulheres negras no parlamento. No entanto, ela destaca que esses avanços são diminutos e que a legislação ainda não é específica para a população negra. A falta de ações públicas voltadas para a questão de gênero e raça dificulta a visualização das conquistas. A educação é apontada como fundamental para a transformação, sendo uma porta para a cidadania, especialmente para mulheres negras que enfrentam diariamente preconceito, exploração e violência. Apesar dos desafios, a advogada enfatiza a força e o respeito que caracterizam as mulheres negras, reiterando a necessidade de mais oportunidades.

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