Mesmo sendo o 2º maior país transplantador, Brasil tem fila que ultrapassa 46 mil pessoas
Setembro Verde: Um Mês Dedicado à Doação de Órgãos no Brasil
O mês de setembro ganha um significado especial com a campanha Setembro Verde, um movimento que visa aumentar a conscientização sobre a importância vital da doação de órgãos no Brasil. Apesar de sermos o segundo país no mundo em número de transplantes, com mais de 30 mil procedimentos realizados, a fila de espera em 2024 ainda é alarmante, ultrapassando 46 mil pessoas.
O Panorama da Doação de Órgãos no Brasil
De acordo com o médico nefrologista Dr. Felipe Miranda, ainda há um longo caminho a percorrer para aumentar a conscientização sobre a doação de órgãos. Embora existam campanhas de conscientização, como as realizadas pela OPO do HC de Ribeirão Preto, a taxa de recusa familiar ainda é alta. É crucial que as pessoas compreendam a importância de se tornarem doadoras e conversem com suas famílias sobre essa decisão.
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Embora existam documentos legais que podem formalizar a intenção de doar órgãos após a morte, a maneira mais eficaz de garantir que esse desejo seja cumprido é comunicar a decisão à família. Discutir abertamente sobre a doação de órgãos em um ambiente familiar aumenta significativamente a probabilidade de que a vontade do indivíduo seja respeitada. A família desempenha um papel fundamental na autorização da doação.
A Fila de Espera e os Órgãos Mais Necessários
Atualmente, mais de 78 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo 28 mil apenas no estado de São Paulo. As córneas lideram a lista de órgãos mais procurados, representando cerca de 90% da fila de espera. Outros órgãos como rins e fígados também são muito requisitados. Além dos órgãos sólidos, a doação de medula óssea também é essencial.
A fila de espera não é organizada por ordem de chegada, mas sim por critérios como compatibilidade sanguínea, compatibilidade genética (HLA) e critérios clínicos específicos para cada órgão. Em casos de emergência, como insuficiência hepática ou cardíaca grave, os pacientes podem ter prioridade na fila.
A conscientização sobre a morte encefálica também é fundamental. Ao contrário do coma, a morte encefálica é irreversível, caracterizada pela ausência total de atividade cerebral. O diagnóstico é realizado por meio de exames clínicos rigorosos e exames de imagem, garantindo a segurança do processo de doação.
A idade não é um fator limitante absoluto para a doação de órgãos. Embora órgãos de doadores mais velhos possam ter menor viabilidade, tecidos como córneas, pele, músculos e tendões podem ser doados em diversas faixas etárias. A logística da doação envolve uma operação complexa, com equipes especializadas na remoção e transporte dos órgãos, que devem ser realizados em um curto período de tempo.
A doação de órgãos é um ato de generosidade que pode transformar vidas. Ao informar sua família sobre seu desejo de ser um doador, você oferece a esperança de um futuro melhor para aqueles que aguardam por um transplante.



