Além de um severo jejum, o período é usado pelos muçulmanos para reflexão e aproximação dos laços com Deus
Bruno Arrumão relata que a comunidade muçulmana local iniciou esta semana as celebrações do Ramadã, período central do calendário islâmico marcado por oração, jejum e reflexão. A mesquita de Barretus, sob a liderança do mestre tradicional da região, preparou uma programação com atividades religiosas e sociais ao longo do mês.
Programa e rotina da mesquita
Segundo o vice‑presidente da mesquita, Girard Marrault Samour, a casa de oração permanecerá aberta quase o dia todo, das 5h às 20h, para receber fiéis e visitantes. Haverá cultos, momentos de reflexão e iniciativas comunitárias que buscam integrar crentes e não crentes.
Jejum: regras e propósito
Marrault Samour explica que o jejum do Ramadã segue normas antigas presentes no Alcorão e compartilhadas por tradições anteriores: “Jejuamos da alvorada até o pôr do sol sem ingerir sólidos nem líquidos e sem manter relações sexuais com os cônjuges. Após o pôr do sol, tudo é liberado normalmente.”
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O vice‑presidente enfatiza que o jejum é também um exercício moral: “Não basta apenas deixar de comer e beber. Temos que jejuar com a língua, não agredir ninguém, não mentir, não caluniar, não ofender. É uma escola para adquirir paciência, compaixão e perdão, e aproximar‑se de Deus para praticar esses valores ao longo do ano.”
Ação social e solidariedade
Além do aspecto espiritual, a mesquita mantém ações de caridade. Durante a pandemia, a liderança transformou a distribuição de cestas básicas em marmitas: “Nosso líder religioso distribuiu mais de 14 mil marmitas para moradores de rua. Hoje já ultrapassamos 20 mil refeições entregues a pessoas, muitas não‑muçulmanas.”
Marrault Samour lembra que a caridade tem formas distintas: quem não pode jejuar por motivos crônicos costuma alimentar necessitados diariamente. “O Islã é uma religião de equilíbrio: não sobrecarrega e facilita a vida dos menos favorecidos”, afirmou.
Questionado sobre o impacto dos conflitos internacionais, especialmente na Palestina, o vice‑presidente disse que a situação intensifica o sentido do jejum. “Nossos irmãos na Palestina enfrentam injustiça, falta de comida e liberdade. Isso nos convoca a jejuar ainda mais e a cultivar compaixão.”
A mesquita convida a comunidade a participar dos encontros e das orações ao longo do mês; a portas abertas, recebe visitantes interessados em conhecer as práticas do Ramadã. O período, segundo os organizadores, combina devoção e ações concretas de assistência social, reforçando laços entre fé e cidadania.



