Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nélson Rocha Augusto
O economista Nelson Roche Augusto participou do programa Manhã CBN para comentar as recentes mudanças no mix de política econômica adotado pelo governo federal. Segundo ele, Metas econômicas do Governo Federal começam a ser modificadas, as alterações abrangem principalmente a política monetária, a política cambial e as perspectivas fiscais, com impactos diretos na economia brasileira.
Alterações na política monetária: O Banco Central surpreendeu analistas ao elevar a taxa Selic em meio ponto percentual, elevando-a para 8% ao ano. Essa decisão representa uma postura mais rigorosa no combate à inflação e reforça o compromisso do governo com a meta inflacionária, considerada um dos pilares da política econômica brasileira. A elevação da taxa Selic tem como objetivo conter pressões inflacionárias e sinalizar credibilidade aos agentes econômicos.
Flexibilização da política cambial: Outra mudança significativa ocorreu na política cambial. O Banco Central passou a permitir maior flutuação na taxa de câmbio, que recentemente oscilou entre 2,14 e 2,15 reais por dólar. Essa maior flexibilidade visa ajustar o câmbio às condições de mercado, contribuindo para a estabilidade econômica. Além disso, o governo reduziu o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para entrada de capital estrangeiro de 6% para zero, com o objetivo de atrair mais investimentos externos e fortalecer a posição financeira do país.
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Perspectivas fiscais e crescimento econômico
Quanto à política fiscal, espera-se que o governo adote uma postura mais responsável, especialmente no que diz respeito à redução dos gastos correntes. Essa medida é vista como fundamental para permitir uma desaceleração gradual da taxa de juros e promover um crescimento econômico sustentável. A contenção dos gastos públicos é apontada como essencial para equilibrar as contas públicas e criar um ambiente favorável para investimentos.
Indicadores econômicos recentes: O economista destacou que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre apresentou crescimento inferior ao esperado, fenômeno conhecido como “pibinho”. Em contrapartida, a produção industrial de abril registrou crescimento significativo, impulsionada principalmente pelos setores de caminhões, máquinas agrícolas e automóveis. Segundo Nelson Roche Augusto, se essa tendência de recuperação da produção industrial se mantiver, o PIB do segundo trimestre poderá apresentar melhora, indicando uma possível retomada da atividade econômica.
Entenda melhor
As recentes mudanças na política econômica indicam um ajuste mais rigoroso no controle da inflação e uma estratégia voltada para a atração de investimentos estrangeiros. A elevação da taxa Selic e a flexibilização cambial refletem o compromisso do governo com a estabilidade econômica. A redução do IOF para entrada de capital estrangeiro busca ampliar o fluxo de recursos externos, enquanto a expectativa de contenção dos gastos públicos visa garantir a sustentabilidade fiscal. A evolução positiva da produção industrial é um indicador relevante para as perspectivas futuras do crescimento econômico brasileiro.