A meteorologista Bruna Peron, da Rural Clima, afirmou que o temporal que atingiu Ribeirão Preto na manhã desta sexta-feira pode ter sido provocado por uma microexplosão atmosférica. A hipótese, segundo ela, ainda depende de análises técnicas, mas as imagens de satélite, radar e as características do evento indicam esse cenário.
Em entrevista ao programa Manhã CBN, a especialista explicou que o fenômeno foi marcado por ventos extremamente intensos em um curto intervalo de tempo. Apesar dos danos registrados, o volume de chuva não foi considerado elevado, o que reforça a possibilidade de uma microexplosão.
Hipótese técnica
Segundo Bruna Peron, uma microexplosão ocorre quando uma nuvem de tempestade concentra grande quantidade de água e ar, que desce de forma intensa em direção ao solo, formando fortes corredores de vento.
A meteorologista explicou que os registros indicam acumulados de aproximadamente 20 a 25 milímetros de chuva, mas concentrados em um período muito curto, fator que, aliado aos ventos, contribuiu para os estragos observados na cidade.
Ela ressaltou que a confirmação do fenômeno dependerá de estudos realizados nos próximos dias, com análise de imagens e relatos sobre o comportamento da tempestade.
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Fenômeno
Bruna destacou que eventos como esse são muito difíceis de prever com antecedência. Segundo ela, a identificação de uma possível microexplosão só é viável por meio do chamado nowcasting, técnica baseada em radares meteorológicos que permite projeções para os próximos 30 minutos a uma hora.
A especialista explicou que previsões convencionais conseguem indicar condições favoráveis para tempo severo, mas não determinar exatamente onde um fenômeno dessa intensidade irá ocorrer.
Avanço da tempestade
Durante a entrevista, a meteorologista também comentou que a linha de instabilidade avançou pelo interior paulista antes de atingir Ribeirão Preto.
Segundo ela, a tempestade se formou em regiões como Marília, Borborema e Novo Horizonte, passou por cidades como Taquaritinga e avançou em direção ao nordeste do estado. Esse deslocamento explica por que diferentes regiões de Ribeirão Preto registraram a chegada da chuva e dos ventos em momentos distintos.
Apesar de o sistema atingir uma área ampla do estado, Bruna ressaltou que os núcleos mais intensos ocorreram de forma localizada, provocando danos mais severos em alguns municípios do que em outros.



