Brasil ainda precisa de mais de 500 aparelhos, segundo estudos
Um estudo recente expôs uma grave realidade: milhares de brasileiros morrem anualmente devido à falta de acesso à radioterapia, especialmente aqueles que dependem do SUS. O país necessita de mais de 500 aparelhos para suprir a demanda.
Desigualdade no acesso à radioterapia
Em entrevista ao Giro CBN, o Dr. Harley Francisco de Oliveira, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, destacou a preocupante situação. Embora regiões como o Sudeste, onde se localiza Ribeirão Preto, apresentem uma infraestrutura um pouco melhor, a realidade nacional é crítica. Mais de 5 mil mortes anuais são atribuídas à falta de acesso ao tratamento oncológico via SUS, segundo dados da Sociedade Brasileira de Radioterapia. Apesar da concentração de 55% dos equipamentos (143 de 259 aceleradores) no Sudeste, o acesso ainda é dificultado por longas filas de espera, mesmo nesta região.
Consequências do tempo de espera
O Dr. Oliveira explica que a radioterapia é um tratamento eficaz contra o câncer, mas a demora no acesso impacta diretamente na gravidade da doença. A lei garante o início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, porém, apenas 16% dos pacientes brasileiros iniciam a radioterapia dentro de 30 dias. Em contraste, países como Canadá (70-75%) e Inglaterra (90-95%) apresentam taxas muito superiores. Esse atraso acarreta no agravamento da doença, redução das chances de cura e comprometimento da qualidade de vida dos pacientes.
Soluções e desafios
O governo federal lançou em 2013 um plano para ampliar os serviços de radioterapia, prevendo a aquisição de 80 novos aceleradores lineares em 5 anos. No entanto, até 2018, apenas 8 equipamentos foram instalados. Além da lentidão na implementação do plano, o repasse financeiro insuficiente dificulta a aquisição, instalação e manutenção dos equipamentos de alto custo. A situação se agrava para pacientes de regiões distantes dos grandes centros, que precisam se deslocar centenas de quilômetros diariamente para realizar o tratamento, impondo um desgaste físico e emocional significativo.
A falta de acesso à radioterapia no Brasil representa um grave problema de saúde pública, exigindo ações urgentes por parte do poder público para garantir o direito ao tratamento adequado e oportuno a todos os pacientes com câncer.



