Brasil é o pais que mais utiliza esse tipo de procedimento no mundo
O Brasil enfrenta um preocupante cenário: lidera o ranking mundial de cesarianas. Dados da OMS apontam que 82% dos partos na rede privada são cesarianos, enquanto na rede pública, o índice, embora menor (37%), ainda está longe da recomendação ideal de 15%.
Cesáreas Desnecessárias: Riscos para Mães e Bebês
O pediatra Tiago Irose destaca a urgência em discutir o tema, pois muitas vezes a cesariana é escolhida pela rapidez, apesar dos riscos envolvidos. Muitas vezes, a cirurgia é realizada sem que a mãe tenha entrado em trabalho de parto (cesariana eletiva), prejudicando tanto a mãe quanto o bebê, que pode não estar totalmente preparado para o nascimento. Crianças que nascem prematuramente têm maior probabilidade de desenvolver problemas como asma, diabetes e obesidade, e a recuperação materna é mais lenta e dolorosa.
Humanização do Parto: Um Caminho para Mudança
O Ministério da Saúde reforça que a cesariana deve ser indicada apenas quando estritamente necessária. O diretor da maternidade, Luís Alberto Ferriani, aponta que, até pouco tempo, os hospitais priorizavam as cesarianas, desestimulando o parto normal. Fatores como a formação médica inadequada, a falta de enfermeiras obstétricas e a busca por comodidade contribuíram para o aumento alarmante de cesarianas desnecessárias. Para reverter essa situação, é preciso humanizar o parto, com mudanças de atitude por parte das gestantes, profissionais de saúde e cursos preparatórios. Isso inclui uma estrutura hospitalar adequada, acolhimento da gestante desde os cursos preparatórios até a chegada ao hospital, e uma equipe multidisciplinar preparada para esse acolhimento, desde a recepção até os médicos e enfermeiros.
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Avanços e Perspectivas
Há indícios de reversão na tendência, com aumento na taxa de partos vaginais no Brasil. A OMS recomenda que as cesarianas não ultrapassem 30% nas redes hospitalares. Maternidades devem garantir que as mulheres possam escolher a posição ideal durante o parto, com a presença de doulas ou acompanhantes, anestesia e fim do jejum obrigatório. Uma resolução do Conselho Federal de Medicina determina que cesarianas só devem ser realizadas após 39 semanas de gestação, evitando procedimentos realizados antes do completo desenvolvimento dos órgãos do bebê.



