Alguns dos pacientes precisaram do transplante de fígado; segundo Rodrigo Stabeli a situação é: “preocupante e intrigante”
O Ministério da Saúde anunciou um aumento preocupante no número de casos suspeitos de hepatite de origem desconhecida em crianças no Brasil, saltando de 7 para 16 em apenas alguns dias. A doença também tem sido investigada em outros países, como os Estados Unidos e alguns na Europa, sem que a causa seja ainda totalmente esclarecida.
Hepatite Aguda Grave em Crianças
De acordo com o pesquisador Rodrigo Estábile, da Fiocruz, trata-se de uma hepatite aguda grave, que se desenvolve rapidamente, diferentemente das formas crônicas mais comuns (A, B, C, D e E). Cerca de 30% das crianças investigadas necessitaram de transplante de fígado, demonstrando a gravidade da situação. A doença se manifesta de forma aguda, com sintomas que aparecem rapidamente, ao contrário das hepatites conhecidas que costumam ter um desenvolvimento silencioso e crônico.
Possíveis Causas e Desinformação
No Reino Unido, 78% das crianças afetadas apresentavam adenovírus, um vírus respiratório comum. Há suspeitas de que o adenovírus seja a causa primária, com possível agravamento pela interação com o Sars-CoV-2 (vírus da Covid-19), resultando em uma síndrome inflamatória no fígado. É importante desmistificar a informação falsa que relaciona a vacina da Covid-19 à doença. Estudos do CDC, FDA e OMS descartaram essa ligação, uma vez que a frequência de casos em crianças vacinadas é muito baixa e os marcadores imunológicos são diferentes.
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Sintomas, Consequências e Orientações
Pais e responsáveis devem ficar atentos a sintomas como febre, icterícia (amarelamento da pele e olhos), náuseas, vômitos e desconforto alimentar. Se a criança apresentar esses sintomas, principalmente icterícia, é crucial procurar imediatamente um pediatra. Embora a maioria das crianças que não necessitam de transplante se recupera bem, a doença requer acompanhamento médico. A orientação é buscar o sistema de saúde imediatamente caso a criança apresente dores abdominais, vômitos, náuseas, dificuldade na amamentação e icterícia, para que seja feita uma investigação completa e o Ministério da Saúde seja notificado. A vacinação contra o coronavírus permanece importante como medida preventiva, e o tratamento se concentra em cuidados de suporte.



