Saldo negativo, de 69 vagas, foi puxado pelo setor da construção civil, que demitiu mais do que contratou; entenda o cenário
O Ministério do Trabalho divulgou os dados do Cadastro de Empregados e Desempregados (Cajed) referentes ao mês de maio, Ministério do Trabalho divulga dados do, que indicam um saldo negativo de 69 vagas em Ribeirão Preto. A principal causa dessa queda foi o setor da construção civil, que demitiu 154 trabalhadores a mais do que contratou no período.
Em comparação com abril de 2025, Ministério do Trabalho divulga dados do, quando o saldo foi positivo em mais de 900 vagas, maio apresentou uma reversão significativa. O economista Maurílio Benith explicou que essa retração é comum no meio do ano devido à sazonalidade, especialmente em uma cidade com mais de 700 mil habitantes como Ribeirão Preto, que tem demonstrado resiliência no mercado de trabalho desde a pandemia.
“O meio do ano é um período de menor empregabilidade, com saldos de contratações tipicamente negativos. Em maio, houve uma inflexão pequena, mas o saldo negativo de 69 vagas representa uma porcentagem muito pequena da força de trabalho”, afirmou Benith.
O economista destacou que o setor da construção civil sofreu um ajuste devido à entrega de obras públicas contratadas no mandato anterior, o que levou à demissão dos trabalhadores envolvidos. Apesar disso, ele afirmou que o cenário não é particularmente desafiador e que o setor produtivo da economia local permanece estável.
Contexto econômico e mercado de trabalho
Segundo Benith, Ribeirão Preto é uma região economicamente dinâmica, sendo uma das maiores economias do estado de São Paulo. Desde o início do ano, a cidade criou mais de 5.500 vagas, o que indica um ano positivo apesar do resultado negativo de maio.
O economista também ressaltou que a qualidade dos empregos gerados no Brasil, em geral, tem apresentado precarização, com muitos trabalhadores autônomos e renda baixa. A falta de qualificação profissional é apontada como um dos principais entraves para a geração de empregos de maior qualidade e melhor remuneração.
Desafios da qualificação e mercado de trabalho: Benith explicou que a expansão do ensino superior no Brasil não foi acompanhada por uma melhoria na qualidade do ensino, o que impacta diretamente a qualificação da mão de obra. Ele afirmou que a dificuldade das empresas em encontrar trabalhadores qualificados é um problema nacional, embora menos intenso em Ribeirão Preto e no estado de São Paulo.
“A qualificação da mão de obra é menor e, consequentemente, a geração de empregos de maior renda também é menor. Além disso, contratar no Brasil é muito caro, o que contribui para a precarização do emprego e a diminuição da renda”, disse o economista.
Impactos econômicos e inflação: O economista também relacionou o alto nível de emprego no Brasil com o aumento da inflação e das taxas básicas de juros. Segundo ele, a elevada ocupação tende a acelerar a inflação porque o aumento da produtividade não acompanha o crescimento do emprego, elevando os preços dos produtos e serviços.
Benith alertou que esse cenário pode gerar um ciclo vicioso, prejudicando especialmente as pessoas de baixa renda, e que a política monetária tem buscado controlar esse risco por meio do aumento das taxas de juros.
Informações adicionais
O Cadastro de Empregados e Desempregados (Cajed) é uma ferramenta que registra as admissões e demissões no mercado de trabalho formal, fornecendo dados importantes para análise da situação econômica regional e nacional.



