Relatório apresentou problemas que vão da esterilização de equipamentos até a falta de qualificação de profissionais
Após um mutirão de cirurgias de catarata em outubro de 2022, 13 pacientes ficaram cegos no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Taquaretinga, em São Paulo. Um relatório do Ministério Público (MP) detalha uma série de irregularidades que podem ter contribuído para o ocorrido.
Irregularidades no AME de Taquaretinga
O documento de 19 páginas aponta falhas graves, como a ausência de sistema de ventilação adequado, problemas de higiene na cadeira utilizada pelo médico (descrita como de tecido, em más condições e grampeada), e o uso inadequado de antissépticos. A esterilização de instrumentos também preocupa: o centro de esterilização funcionava sem profissionais qualificados e com descumprimento das normas de uso da autoclave, comprometendo a descontaminação dos equipamentos. A investigação também revelou a falta de controle de esterilização da caneta de foco utilizada nas cirurgias e problemas na qualidade da água purificada.
Investigação e medidas tomadas
O promotor Ilu Wilson Marinho Gonçalves classificou as irregularidades como gravíssimas. O MP encaminhou a documentação aos Conselhos Regionais de Farmácia e Medicina para medidas disciplinares aos profissionais envolvidos e requisitou uma nova inspeção da vigilância sanitária, com possibilidade de interdição total do AME. O MP também está colhendo depoimentos das vítimas e da equipe médica, e solicitou a complementação da documentação à Secretaria de Saúde e ao Grupo Gestor do AME. A investigação busca apurar as falhas e responsabilizar os envolvidos, incluindo a falta de um protocolo de segurança detalhado para as cirurgias.
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Situação atual e próximos passos
As cirurgias de catarata no AME de Taquaretinga permanecem suspensas, e os pacientes afetados recebem atendimento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. A Secretaria Estadual da Saúde realiza sindicância para apurar responsabilidades, com resultado previsto em 15 dias. O MP aguarda o esclarecimento sobre os protocolos de segurança e a apresentação da documentação completa para a adequada responsabilização dos envolvidos. A vigilância sanitária realizará uma nova inspeção no AME, podendo resultar na interdição total do local.



