Grupo foi trazido da cidade de Jales (SP) para trabalhar em uma lavoura de laranja; alguns trabalhadores dormiam em uma piscina
Operação Resgate: 23 trabalhadores libertados de condições análogas à escravidão
Em mais uma ação decisiva contra o trabalho escravo contemporâneo, a Operação Resgate resgatou 23 trabalhadores de condições análogas à escravidão em quatro cidades do interior de São Paulo. Esta foi a terceira edição da operação, que tem atuado em diversas regiões do país no combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas.
Detalhes do Resgate em Patrocínio Paulista
Em Patrocínio Paulista, região de Franca, 17 trabalhadores foram encontrados em situação de trabalho análogo à escravidão. Colhedores de laranja, trazidos de Jales por um “gato” (agente que recruta trabalhadores para trabalhos precários), eles não possuíam registro em carteira, recebiam por produtividade e viviam em condições degradantes. O alojamento era insalubre, pequeno para o número de moradores, sem higiene e conforto. Alguns dormiam ao relento em colchões no chão, outros em uma piscina desativada e até mesmo em um quarto improvisado na cozinha, que abrigava também um fogão à lenha. A falta de armários, roupas de cama e cobertores, além de um único banheiro para todos, completava o quadro de precariedade.
Outras Cidades e Ações do Ministério Público do Trabalho
Além de Patrocínio Paulista, resgates ocorreram em Penápolis, São José dos Campos e Taubaté. A empresa em Patrocínio Paulista assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), comprometendo-se a regularizar a situação. Caso não cumpra as obrigações, estará sujeita a multas. Os trabalhadores receberam verbas salariais, rescisórias e indenização por dano moral, retornando a Jales com transporte e alimentação pagos pelo empregador, além de terem acesso ao seguro-desemprego. O MPT instaurou inquérito para investigar a empresa. Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas pelo site mpt.mp.br, aplicativo Pardal ou pelo Disque 100.
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As autoridades reforçam a importância da denúncia para combater esse crime. A ação conjunta demonstra o compromisso em proteger os direitos dos trabalhadores e garantir condições dignas de trabalho.



