Acidentes domésticos podem ocorrer de forma silenciosa durante tarefas rotineiras, como a limpeza da casa. A mistura de produtos químicos comuns, prática frequente em faxinas, pode gerar reações perigosas e liberar gases tóxicos, com efeitos graves para a saúde humana.
O alerta é do engenheiro químico José Guilherme Pascoal de Souza, coordenador do curso de Engenharia Química da Unaerp, que explica que a falsa sensação de potencializar a limpeza leva muitas pessoas a combinações proibidas e altamente nocivas.
Misturas perigosas
Entre as misturas mais comuns está a combinação de água sanitária com vinagre. Segundo o especialista, o vinagre contém ácido acético e a água sanitária é composta por hipoclorito de sódio. Quando misturados, esses produtos liberam gás cloro, substância extremamente tóxica.
O gás cloro já foi utilizado como arma química no passado e pode provocar irritação intensa nos olhos, nariz e garganta, além de náuseas, vômitos, dor no peito e falta de ar. Em exposições mais altas, há risco de edema pulmonar, asfixia e morte, especialmente em pessoas com doenças respiratórias pré-existentes.
Além dos danos à saúde, as misturas também causam prejuízos materiais, como desgaste de pisos, azulejos, móveis e superfícies, sem qualquer ganho real na eficiência da limpeza.
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Ambientes fechados
O risco se torna ainda maior quando essas misturas são feitas em locais pequenos e pouco ventilados, como banheiros, cozinhas e lavanderias. Nesses ambientes, os gases liberados se concentram rapidamente, aumentando a exposição e agravando os sintomas.
Entre os primeiros sinais de intoxicação estão tosse intensa e persistente, queimação nas vias aéreas, ardência nos olhos, tontura e náuseas. Em casos mais graves, a pessoa pode desmaiar devido à falta de oxigenação adequada.
Diante desses sintomas, a orientação é sair imediatamente do ambiente contaminado, buscar um local arejado e, se necessário, procurar atendimento médico quanto antes.
Outros riscos
Outra combinação comum é a mistura de bicarbonato de sódio com vinagre, muitas vezes feita em recipientes fechados. Essa reação libera dióxido de carbono (CO₂), que em altas concentrações também é perigoso e pode causar sintomas semelhantes aos do gás cloro.
Em ambientes fechados, níveis elevados de CO₂ comprometem a respiração e aumentam o risco de mal-estar, perda de consciência e acidentes mais graves, especialmente quando não há troca adequada de ar.
O especialista destaca que o uso excessivo de um único produto, como grandes volumes de água sanitária sem diluição adequada, também pode liberar gases irritantes e causar intoxicação.
Uso correto
A recomendação é clara: nunca misturar produtos de limpeza. As indústrias formulam esses produtos em concentrações seguras e a legislação proíbe combinações caseiras, justamente pelos riscos imprevisíveis das reações químicas.
Outras orientações incluem usar um produto por vez, enxaguar bem as superfícies antes de trocar o produto, manter o ambiente ventilado, utilizar luvas e, quando indicado, óculos ou máscara de proteção. Ler atentamente os rótulos também é fundamental, já que eles trazem informações sobre riscos, formas corretas de uso e telefones de emergência.
Em caso de acidente, além de sair do local contaminado, o ideal é buscar ajuda médica e acionar serviços de emergência, se necessário.



