A mobilidade urbana segue como um dos principais desafios políticos de Ribeirão Preto e deve continuar no centro do debate em 2026. O tema envolve desde o funcionamento do transporte coletivo até a convivência entre motoristas, ciclistas, pedestres e pessoas com deficiência, exigindo soluções integradas e de longo prazo.
Em análise no quadro De Olho na Política, o cientista político Bruno Silva destacou que, após anos de investimentos em obras estruturantes dentro do programa ‘Ribeirão Mobilidade’, o foco da gestão municipal mudou da construção para a operação do sistema e a convivência no trânsito. Segundo ele, essa transição tem impacto direto na percepção da população sobre os resultados das políticas públicas.
Entre os principais pontos citados estão a operação dos corredores de ônibus, a reorganização das linhas alimentadoras, a fiscalização de faixas exclusivas e a ampliação do uso de radares. Apesar de avanços, o especialista avalia que esses temas ainda geram atritos entre usuários e a RP Mobi, responsável pela gestão do trânsito na cidade.
Alto custo e perda de passageiros
A discussão sobre a tarifa zero também permanece como um dos maiores desafios. Embora seja uma tendência em grandes cidades, o modelo esbarra em custos elevados. Em Ribeirão Preto, a Prefeitura tem sido obrigada a ampliar os repasses às empresas concessionárias para manter o sistema funcionando, em um cenário de queda no número de passageiros e crescimento do transporte por aplicativo.
Bruno Silva ressaltou que a substituição gradual do ônibus por alternativas como aplicativos de transporte tem impacto direto nas contas públicas. Em muitos casos, essas opções acabam sendo mais rápidas e até mais baratas para o usuário, o que reduz a demanda pelo transporte coletivo e pressiona ainda mais o orçamento municipal.
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Outro ponto de destaque é a cobrança da população por melhorias na frota, como ônibus com ar-condicionado, Wi-Fi e maior conforto. O desafio político, segundo o analista, é exigir essas melhorias das concessionárias sem aumentar o valor da tarifa, o que se torna cada vez mais difícil diante dos custos operacionais.
A fiscalização também entrou na pauta, especialmente em relação à lei que proíbe as chamadas “rabeiras” em ônibus. Embora aprovada, a norma enfrenta dificuldades de aplicação no dia a dia, o que gera reclamações constantes de motoristas e usuários do transporte coletivo.
No âmbito estadual, Bruno Silva lembrou que debates sobre mobilidade extrapolam os limites do município, envolvendo temas como investimentos no Aeroporto Leite Lopes, discussões sobre pedágios e melhorias na infraestrutura viária da região.
Para o cientista político, a mobilidade urbana seguirá como um dos temas mais sensíveis para a gestão pública, por impactar diretamente a rotina da população e exigir decisões que conciliem qualidade do serviço, equilíbrio financeiro e aceitação social.