Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marco Guarizzo
Uma descoberta promissora no campo da saúde sexual masculina acaba de ser anunciada por pesquisadores da Universidade de Franca (Unifran). Trata-se de uma molécula extraída da pimenta de Java, a cubibina, que demonstrou potencial para tratar a disfunção erétil em testes com cobaias.
A Descoberta Acidental e a Patente Inovadora
A pesquisa, coordenada pelo professor Márcio Luís Andrade Silva, teve um começo inusitado. Inicialmente, o foco era encontrar uma substância para tratar a doença de Chagas. “Estávamos comparando os resultados da cubibina e outros derivados quando notamos que o animal que recebeu a cubibina estava tendo ereção”, explica o professor Silva. Os testes foram repetidos e confirmaram o efeito, levando ao depósito de patentes no Japão, Europa, Estados Unidos e Brasil. Recentemente, a patente foi concedida nos Estados Unidos, sendo considerada de extrema inovação.
Vantagens da Cubibina em Relação aos Medicamentos Existentes
Um dos pontos mais animadores da pesquisa é que a cubibina apresentou resultados superiores aos medicamentos industrializados para disfunção erétil, com a vantagem de ter menos efeitos colaterais. “Até o momento, nossa molécula demonstrou efeitos colaterais reduzidos em relação aos medicamentos no mercado. Praticamente não há relatos de taquicardia, imperatividade ou agressividade”, afirma o professor Silva.
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O Mecanismo de Ação da Cubibina
A cubibina atua diretamente na enzima PDE5, responsável por inibir a ereção. Ao bloquear essa enzima, a molécula aumenta o efeito da ereção, seguindo um mecanismo natural do organismo. “Uma diferença entre o nosso medicamento e alguns do mercado é que a nossa molécula age com 50% mais potência nessa enzima do que, por exemplo, o sildenafil. Numa dose de 50mg de sildenafil efetiva da enzima, a nossa precisa de 25mg”, detalha o pesquisador.
Próximos Passos e Desafios para a Chegada ao Mercado
Após os estudos, a Unifran negociou com um laboratório por quatro anos, mas a parceria não avançou. Atualmente, o grupo está em contato com outra empresa do setor. No entanto, a chegada do medicamento ao mercado ainda depende de mais testes e da autorização do Ministério da Agricultura para o cultivo da pimenta de Java no Brasil, já que a planta é importada da Índia. A expectativa é que o medicamento esteja disponível em até três ou quatro anos.
A descoberta representa um avanço promissor para o tratamento da disfunção erétil, oferecendo uma alternativa potencialmente mais eficaz e com menos efeitos colaterais.



