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‘Momento mais difícil da guerra que estamos travando’, diz médico do Hospital das Clínicas

José Sebastião dos Santos alerta para uma 'crise sistêmica' com a falta de insumos; procedimentos eletivos estão suspensos
guerra no hospital
José Sebastião dos Santos alerta para uma 'crise sistêmica' com a falta de insumos; procedimentos eletivos estão suspensos

José Sebastião dos Santos alerta para uma ‘crise sistêmica’ com a falta de insumos; procedimentos eletivos estão suspensos

O médico José Sebastião dos Santos, do Hospital das Clínicas e especialista em saúde pública, concedeu entrevista à CBN para discutir a grave crise no sistema de saúde brasileiro.

A Situação Atual dos Hospitais

Segundo o Dr. Santos, o momento é crítico, exigindo que todos – população, gestores e profissionais – priorizem o essencial. Hospitais estão reduzindo atividades não emergenciais, como cirurgias e exames, para otimizar recursos escassos. A falta de coordenação entre os níveis regional, estadual e nacional agrava a situação, podendo levar a uma crise sistêmica. Há dificuldades no fornecimento de medicamentos e equipamentos, afetando hospitais de referência e aqueles com menor estrutura. A taxa de ocupação de leitos de UTI é preocupante, com longas filas de espera.

A Déficit de Investimentos e a Pandemia

O Dr. Santos destaca que a falta de investimentos em saúde ao longo dos anos, aliada ao crescimento populacional sem aumento proporcional de leitos, é um problema crônico que a pandemia apenas expôs. A dependência do SUS por 75% da população, contrastando com a igualdade de leitos para o SUS e saúde suplementar, demonstra um desequilíbrio gritante. A ampliação de leitos de UTI, identificada como necessidade há mais de uma década, permanece como um desafio, assim como a formação de profissionais especializados. O governo, segundo ele, é eficiente na arrecadação, mas negligente no retorno à população.

Necessidades e Soluções

O Dr. Santos aponta a necessidade urgente de aumentar o número de leitos de UTI, formar mais intensivistas e profissionais de saúde da família, e melhorar a gestão do sistema público de saúde. Ele critica a falta de compromisso de governos anteriores, que não investiram na saúde adequadamente. A situação atual força a priorização de casos graves e urgências, com o cancelamento de cirurgias menos urgentes para evitar sobrecarregar as UTIs. Apesar da gravidade do momento, o Dr. Santos enfatiza a importância de se aprender com a crise e implementar as mudanças necessárias para garantir um sistema de saúde mais justo e eficiente no futuro.

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