Cerca de 150 famílias da Favela Cidade Locomotiva estão desabrigadas há uma semana, quando chuva alagou barracos da Rua Perú
Os 150 moradores da favela Locomotiva, localizada na zona norte de Ribeirão Preto, estão negociando uma extensão do prazo para permanecerem em um galpão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O prazo inicial para desocupação expirou na segunda-feira, e as famílias ocupam o local há uma semana, desde que um forte temporal alagou suas casas próximas à Rua Peru.
Resgate e Solidariedade
As famílias foram resgatadas pelos bombeiros durante a inundação na noite da última quarta-feira. A FCA inicialmente concordou com a permanência temporária no galpão, onde atualmente vivem mais de 200 crianças. A situação sensibilizou diversos cidadãos, como a dentista Regina Irreira, que realizaram doações de colchões, travesseiros, roupas, alimentos e cobertores.
Recusa do Abrigo Municipal
A prefeitura ofereceu abrigo no Centro de Triagem e Encaminhamento ao Migrante e Tinerante e Morador de Rua (Cetrem), mas as famílias recusaram a proposta. Segundo Platinir da Silva Nunes, representante dos moradores, a decisão de permanecer no galpão da FCA se deve à preocupação com a dignidade das famílias. “Não vamos colocar nosso povo, que é de família digna e trabalhadora, para passar humilhação no Cetrem”, afirmou Platinir. Ele ressaltou que, no galpão, as famílias têm recebido alimentação e água graças à solidariedade da população.
Demandas e Negociações
O terreno ocupado pela favela Locomotiva pertence à Superintendência do Patrimônio da União, e as famílias não possuem autorização formal para permanecer no local. O secretário da Casa Civil de Ribeirão Preto, Laíllo Quese Jr., informou que a prefeitura enviará material para auxiliar no aterramento da área, atendendo a uma solicitação dos moradores. Um estudo técnico será realizado para verificar a viabilidade do aterramento e a prefeitura se comprometeu a retirar o máximo possível da água da chuva.
Platinir, no entanto, afirma que a prefeitura ainda não cumpriu integralmente o acordo, faltando o envio regular de um caminhão pipa e a instalação de banheiros químicos. Ele garantiu que as famílias não retornarão à favela até que todas as promessas sejam cumpridas. A administração municipal, por sua vez, alega que não pode intervir diretamente na negociação.
Posicionamento da FCA
Em nota, a assessoria da FCA informou que o galpão não está abandonado e que a ocupação deve ser encerrada devido à falta de saneamento básico, que coloca em risco a segurança e o bem-estar das famílias. A empresa não informou se entrará com um pedido de reintegração de posse.
As famílias aguardam o cumprimento integral das promessas para retornarem às suas casas, enquanto a prefeitura busca soluções para melhorar as condições de vida na área.



