Moradores de Ribeirão reclamam da situação do local e dizem que problemas são frequentes; Prefeitura não se posicionou
A história de Frederico, um mestiço de pitbull de 7 anos, transformou a vida de uma família em Ribeirão Preto. Após fugir de casa, o animal foi encontrado atropelado e, segundo seus donos, negligenciado durante os 12 dias em que esteve sob os cuidados da Coordenadoria de Bem-Estar Animal. O caso reacende o debate sobre a qualidade do atendimento oferecido pelo órgão e levanta questionamentos sobre a saúde pública na cidade.
O Drama de Frederico: Do Acidente à Morte
Após o atropelamento, Frederico foi levado à Coordenadoria de Bem-Estar Animal. Gênison Moraes, o dono, relata que exames iniciais não apontavam problemas de saúde, mas, após 12 dias sob os cuidados do órgão, o cão apresentava um quadro alarmante: fratura, desnutrição, bicheira, pneumonia e necrose do órgão genital. Levado a uma clínica particular, Frederico não resistiu. A família acredita que, se o tratamento adequado tivesse sido oferecido desde o início, o desfecho poderia ter sido diferente.
Denúncias de Negligência e Doenças Não Diagnosticadas
O caso de Frederico não é isolado. Cristiane Baroncelli relata que adotou um filhote, Nick, no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que logo apresentou sinais de doença. Diagnosticado inicialmente com anemia, Nick, na verdade, sofria de leptospirose, uma doença grave e contagiosa. O filhote não resistiu, e a família precisou de tratamento preventivo. Outra denunciante, Natália Camargo, adotou Chiquinha, uma cadela idosa, que, segundo o CCZ, não tinha problemas de saúde. No entanto, uma veterinária particular identificou diversos nódulos que necessitavam de cirurgia. Esses casos levantam sérias dúvidas sobre a triagem e os cuidados veterinários oferecidos pelo órgão.
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Responsabilidade do Poder Público e a Saúde Animal
O advogado Renato Toledo Lima, ao analisar os casos, aponta possíveis infrações cometidas pelo poder público. Segundo ele, um animal sob a guarda do Centro de Bem-Estar Animal deve sair de lá em melhores condições do que quando entrou. Permitir que um animal contaminado com leptospirose seja adotado representa um risco à saúde pública. Flávia Frederico, que atua na área de proteção animal, questiona quantos casos de negligência não são notificados e critica a falta de controle populacional de animais, o que agrava os problemas de saúde pública.
Um Problema de Saúde Pública Urgente
Enquanto a prefeitura alega que Frederico recebeu atendimento veterinário adequado, as denúncias de negligência e falta de cuidado com os animais no CCZ e na Coordenadoria de Bem-Estar Animal persistem. A situação expõe a necessidade urgente de uma revisão nas políticas de saúde animal e de um maior investimento em cuidados veterinários para garantir o bem-estar dos animais abandonados e a segurança da população.



