Exposição ‘Avesso do avesso’, de Julian Campos, começou nesta sexta (1º) e segue até 3 de março no Laboratório das Artes
A exposição Avesso, do artista visual Juliân Campos, abre nesta noite em Franca trazendo cerca de 60 trabalhos bordados em tecido. A mostra, premiada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) do Estado de São Paulo, ocupa o Laboratório das Artes e fica em cartaz até 3 de abril.
Tema e processo
Avesso reúne peças confeccionadas a partir de toalhas e guardanapos garimpados em brechós e bazares de caridade da cidade natal do artista. Ao reutilizar esses materiais, Juliân investiga o lugar do bordado na arte contemporânea e questiona estereótipos de gênero: o artista, homem, assume uma técnica historicamente associada ao universo feminino e às práticas domésticas.
O trabalho parte do desenho repetido e da construção ponto a ponto característica do bordado, um processo que reforça relações com tempo, memória afetiva e saberes manuais que, segundo o autor, vêm perdendo espaço diante das transformações tecnológicas e culturais. As peças exibidas também procuram valorizar habilidades artesanais muitas vezes subestimadas — bordados complexos e requintados encontrados por poucos centavos nas feiras locais.
Leia também
Itinerância, agenda e oficinas
Após a abertura em Franca, a exposição seguirá para Ribeirão Preto, em maio, e para Praia Grande (Baixada Santista), em julho. Mostras anteriores já passaram por Uberaba (no ano passado) e Palmas (Tocantins, 2022).
O vernissage ocorre hoje, às 20h, no Laboratório das Artes (Rua Cuba, 1099, Jardim Consolação). A visitação regular acontece de segunda a sexta, das 10h às 12h e das 14h às 17h. Grupos escolares e universitários interessados em agendar visitas podem encontrar contato pelo Instagram do Laboratório das Artes.
Na programação do espaço também estava prevista uma oficina de bordado ministrada por Juliân no dia seguinte à abertura; as vagas para essa atividade já foram informadas como esgotadas. O artista coloca-se não apenas como expositor, mas como divulgador da técnica, propondo usos que vão do artesanato à expressão artística, incluindo customização de roupas e objetos decorativos.
A mostra convida o público a revisitar memórias e saberes manuais enquanto discute o lugar do trabalho artesanal na contemporaneidade.



