O motorista do caminhão de lixo envolvido no atropelamento que matou uma idosa de 70 anos, em Franca, passa por audiência de custódia nesta sexta-feira. A vítima, Maria do Carmo Santos Soares, morreu no local após ser atingida pelo veículo, enquanto atravessava a via.
Imagens divulgadas mostram o momento em que a idosa tenta atravessar em frente ao caminhão, que estava parado no cruzamento. Após a passagem de um carro, o motorista acelera pela contramão e acaba atropelando a vítima, que ainda tenta correr, mas não consegue evitar o impacto.
Manobra irregular
O acidente ocorreu no Jardim Barão, na avenida Geraldo Teodoro Martins, uma via próxima a unidades de saúde e com poucas opções de retorno. De acordo com testemunhas e a investigação, o motorista teria o costume de acessar o trecho pela contramão para evitar um desvio maior.
Um coletor que integrava a equipe relatou que a prática era recorrente e o condutor já havia sido alertado outras vezes sobre o risco da manobra. A polícia também teve acesso a imagens de câmeras de segurança de dias anteriores que mostram o caminhão realizando o mesmo trajeto irregular.
Investigação
Segundo a Polícia Civil, três fatores pesaram para a prisão do motorista, entre eles a habitualidade da conduta. Registros dos dias 8 e 15 de janeiro mostram o veículo trafegando pela contramão no mesmo trecho, o que reforça a suspeita de que a manobra fazia parte da rotina.
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Com base nesses elementos, o motorista passou a responder por homicídio doloso, quando há assunção do risco de matar. O delegado também considerou o fato de o local ter grande circulação de pedestres por conta de pronto-socorro e hemocentro nas proximidades.
Pontos cegos
Especialistas em trânsito destacaram que caminhões possuem pontos cegos que dificultam a visualização de pedestres, motociclistas e ciclistas, principalmente quando estão muito próximos ao veículo. No entanto, reforçam que motoristas profissionais devem adotar direção defensiva, especialmente ao realizar manobras irregulares.
No caso, a avaliação é de que havia alternativa para acessar a via sem utilizar a contramão, o que pode agravar a responsabilidade do condutor. A perícia deve analisar se o ponto cego contribuiu para o atropelamento.
Pedido de justiça
Amigos e familiares de Maria do Carmo estiveram no local e cobraram providências. Uma amiga da família relatou o desespero dos parentes e pediu justiça, afirmando que a vítima seguia para atendimento médico no momento do acidente.
A Polícia Civil segue investigando o caso e deve solicitar à empresa de coleta a escala de trabalho para confirmar se o mesmo motorista aparece nas imagens de outros dias.



