Prefeitos em SP são suspeitos de cobrar propina para favorecer empresa da coleta de lixo
Operações do Gaeco investigam desvios milionários em prefeituras do interior paulista
Prefeitos afastados e investigações em curso
As operações que levaram ao afastamento dos prefeitos de Guaíra e Barretos são apenas parte de uma série de investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) que abrangem diversas cidades do interior paulista. A Operação Ramele, por exemplo, completa uma semana e investiga um esquema de desvio de dinheiro em Franca, Morungaba, Dumont, Batatais e Guaíra. Os prefeitos de Franca (Gilson de Souza), Guaíra (Zé Eduardo) e Batatais (José Luiz Romanholli) são investigados por suspeitas de exigirem propina em troca de favorecer a empresa Seleta em licitações de serviços como coleta de lixo e limpeza urbana. Ex-prefeitos de Orlândia, Morungaba, Dumont e Guaíra também são investigados pelas mesmas suspeitas.
Valores milionários e contratos fraudulentos
As investigações, baseadas em interceptações telefônicas e análise de contratos, apontam para desvios milionários. Em Franca, o valor total dos contratos fraudulentos chega a R$ 29,5 milhões, enquanto em Orlândia, Guaíra e Batatais a soma chega a R$ 13,5 milhões. As irregularidades em Batatais iniciaram em 2012. O promotor Rafael Piola reforçou a importância das provas apreendidas para a condenação dos investigados. A empresa Seleta, por meio de nota, negou envolvimento nas irregularidades.
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Reações e desdobramentos
Os prefeitos investigados se pronunciaram: Gilson de Souza (Barretos) disse estar à disposição da justiça; José Luiz Romanholli (Batatais) negou as irregularidades; e Zé Eduardo (Guaíra) alegou desconhecer as acusações e defendeu a lisura dos contratos. Ex-prefeitos também se manifestaram, alguns alegando desconhecer os fatos ou prestando esclarecimentos à justiça. O montante total desviado pode chegar a quase R$ 100 milhões, segundo estimativas iniciais. A população demonstra indignação e revolta diante dos fatos, com manifestações em frente à prefeitura de Guaíra. As investigações, iniciadas há três anos, demonstram a necessidade de transparência e rigor na gestão pública, com a justiça atuando para responsabilizar os envolvidos.



