Promotor Leonardo Romanelli dá detalhes da atuação do Ministério no maior esquema de corrupção da história de Ribeirão Preto
O promotor Leonardo Romanelli, do Gaeco de Ribeirão Preto, concedeu entrevista sobre a Operação Sevandija, que investiga corrupção na cidade. Três anos após o início, a operação mostra resultados significativos no combate à criminalidade.
Avanço das Investigações
A operação Sevandija possui quatro frentes principais: Coderpe (fraudes em licitações), Erpe (contratos fraudulentos), honorários advocatícios e catracas escolares. Os casos de honorários advocatícios já foram concluídos em Ribeirão Preto e seguem para o Tribunal de Justiça de São Paulo. O caso Coderpe, considerado o principal por envolver corrupção de vereadores, está em fase final, aguardando sentença. O caso Erpe encontra-se em fase intermediária, com depoimentos de testemunhas de defesa. Por fim, as investigações sobre as catracas escolares, o ponto de partida da operação, ainda estão em estágio inicial.
Condenações e Próximos Passos
Além das quatro ações penais principais, existem cinco ações sobre lavagem de dinheiro. Várias condenações já foram proferidas, incluindo a do advogado André Rentes. A próxima fase concentra-se no julgamento do processo que envolve fraudes em licitações na Coderpe e o esquema de ‘cafézinhos’ entre empresários e políticos. Nove ex-vereadores e três secretários municipais são os principais alvos desta etapa. O esquema consistia na compra de apoio político em troca de contratações privilegiadas de pessoas ligadas aos vereadores em cargos de terceirizados, com salários acima do mercado para funções de baixa complexidade.
Leia também
Impactos de Novas Leis
Romanelli destacou os desafios que a lei de abuso de autoridade e as alterações no COAF representariam para a operação. A lei de abuso de autoridade dificultaria as investigações, comprometendo ações como conduções coercitivas e o uso de algemas. As mudanças no COAF limitariam o acesso a informações cruciais, como os relatórios de inteligência financeira que revelaram saques atípicos de um empresário envolvido no esquema. O promotor expressou preocupação com a possibilidade de um ‘código da impunidade’, que poderia afetar a colaboração premiada e dificultar o combate à corrupção.
A operação Sevandija continua em andamento, com novas investigações em curso e foco na recuperação do patrimônio público. Há 190 milhões de reais bloqueados, que serão destinados ao município de Ribeirão Preto após o devido processo legal. Apesar dos desafios, a operação demonstra avanços significativos no combate à corrupção na cidade.


