Escrivães do 4º DP teriam deixado de registrar depoimentos de vítimas de esquema em troca de presentes dos acusados
Uma escuta telefônica autorizada pela Justiça revelou um esquema de fraudes judiciais que envolve advogados e policiais do 4º Distrito Policial de Ribeirão Preto. Segundo o Ministério Público (MP), o esquema causou prejuízos de R$ 100 milhões.
Informações Privilegiadas e Sigilo Violado
A investigação, baseada em uma escuta telefônica realizada em 12 de abril de 2017, indica que os escrivães Maria José Dias Arena e Marco Aurélio Carvalho, subordinados ao delegado Paulo Henrique Martins, repassavam informações privilegiadas e sigilosas da investigação para os advogados Klaus Philippe Lodoli, Renato Vidal e Gustavo Caroprezo, todos envolvidos na Operação Temis. As conversas telefônicas mostram o esquema de acobertamento de crimes, onde os escrivães deixavam de registrar depoimentos de vítimas em troca de presentes e outros benefícios.
Suspeitas de Corrupção e Lavagem de Dinheiro
O MP afirma que as conversas demonstram um forte vínculo ilegal entre os agentes públicos e os advogados. Maria José, Marco Aurélio e o delegado Paulo Henrique são alvos de dois inquéritos na Corregedoria da Polícia Civil, sob sigilo, suspeitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As mensagens de WhatsApp encontradas nos celulares dos advogados apreendidos na Operação Temis reforçam as acusações, mostrando a estreita relação entre investigados e investigadores.
Leia também
Defesas e Manifestações
As defesas dos envolvidos se manifestaram de diferentes formas. A defesa de Maria José Dias Arena afirma que só se manifestará no processo. A defesa do delegado Paulo Henrique Martins garante que irá demonstrar sua inocência. A defesa de Marco Aurélio Carvalho afirma que a conversa foi manipulada e destaca a longa trajetória do escrivão na Polícia Civil. A defesa de Renato Vidal classifica as acusações do MP como fantasiosas. A defesa de Gustavo Caroprezo não foi localizada para comentar o caso.
O caso segue sob investigação na 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, com o MP buscando responsabilizar todos os envolvidos neste esquema de corrupção e fraude que causou significativos prejuízos financeiros.



