Funcionários denunciam falta de estrutura e sucessivos furtos à autarquia
A visita de promotores à sede do Daerpe, em Pernambuco, na última sexta-feira, revelou um cenário de desperdício de dinheiro público. A constatação foi feita durante inspeção no depósito da autarquia, pela primeira vez aberto à equipe do Ministério Público.
Desperdício e falta de estrutura
Funcionários comemoraram a visita, usando a oportunidade para denunciar a falta de estrutura do departamento e questionar as horas extras e o sistema de ponto. Segundo os servidores, milhões são gastos com produtos estocados, enquanto faltam recursos para investimentos básicos, como segurança. O chefe de materiais elétricos, Nilsson Belém, relatou diversos furtos e roubos nas estações de bombiamento, impossibilitando a contratação de segurança por falta de recursos financeiros. Em 2023, foram registrados 55 furtos, causando um prejuízo de quase R$ 5 milhões.
Estoque excessivo e horas extras
A inspeção encontrou centenas de tubos para redes de esgoto comprados há dez anos e nunca instalados, pneus vencidos, materiais de limpeza e caixas de uniformes estocados. O promotor José Roberto Marques afirmou que o Ministério Público cobrará um relatório da direção do Daerpe para decidir sobre a abertura de um inquérito. As altas despesas com horas extras também chamaram a atenção, com quase R$ 900 mil gastos em um mês e mais de R$ 10 milhões em 2016. Um protesto de servidores ocorreu recentemente contra o fim do pagamento de horas extras, medida justificada pelo superintendente Fonsso Reis do Arte como forma de racionalizar gastos e combater o acúmulo de serviços para recebimento de horas extras em finais de semana e feriados.
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Próximos passos
O Ministério Público aguarda um relatório do superintendente sobre o estoque excessivo para decidir sobre a abertura de um inquérito. Não há prazo definido para a apresentação dos documentos. A investigação busca apurar as denúncias de desperdício e irregularidades na gestão do Daerpe.



