O rapaz de 16 anos é suspeito de assaltar uma chácara no Recreio Internacional e não foi aceito na Fundação Casa
Neste final de semana, um caso inusitado chamou a atenção em Ribeirão Preto: uma mãe entregou o próprio filho, um adolescente de 16 anos, à polícia após suspeitar de sua participação em um assalto a uma chácara no Recreio Internacional na sexta-feira à noite.
O Assalto e a Decisão da Mãe
Durante o assalto, a polícia prendeu três indivíduos, mas dois conseguiram fugir. A mãe do adolescente, ao descobrir o possível envolvimento do filho no crime, tomou a difícil decisão de levá-lo à delegacia. Em entrevista à IPTV, a mãe, que preferiu não se identificar, explicou sua atitude: “Eu acho que é o correto, que todas as mães fizessem isso, os filhos não seriam tão bandidos, porque existe muita bandidade no mundo. Então eu sei que não é fácil para uma mãe fazer isso, mas eu acho que é o correto e eu penso desse jeito. Eu sempre fui criada na honestidade. Eu fiz 48 anos, o presente que eu recebi de aniversário foi esse. Doeu, não é fácil para mim, como se o mundo tivesse acabado e eu me joguei no chão, mas eu vou ficar de cabeça erguida porque eu ensinei ele a ser uma pessoa de bem. Se ele não quis o caminho correto, não é culpa minha. Ele entrou nisso porque ele procurou andar com pessoas que não convinham a ele.”
A Legislação e a Impossibilidade de Internação
Apesar da atitude da mãe, o adolescente não foi internado na Fundação Casa. O promotor Alexandre Marcos Pereira explicou que, segundo o artigo 106 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a internação só é possível em flagrante delito ou mediante ordem judicial. Como o jovem foi apresentado à delegacia fora de flagrante, a internação não foi possível. O promotor enfatizou que, para a justiça, menores não cometem crimes, mas praticam atos infracionais, sujeitos a medidas socioeducativas com foco na recuperação e reinserção social.
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Desfecho e Reflexões
O juiz da infância e juventude, Paulo César Gentili, ainda analisará o caso para decidir sobre possíveis medidas socioeducativas para o adolescente. O episódio levanta importantes reflexões sobre a responsabilidade parental, o sistema socioeducativo e as complexidades da legislação que protege crianças e adolescentes em conflito com a lei. A atitude da mãe, embora dolorosa, demonstra uma busca por justiça e pela recuperação do filho, mesmo diante de circunstâncias extremamente difíceis.



