De acordo com o levantamento, uma a cada três mulheres atacadas acabam morrendo; a maioria das agressões é gerada por ciúmes
O Ministério Público do Estado de São Paulo concluiu um estudo sobre casos de feminicídio, revelando dados preocupantes sobre o comportamento de agressores e ajudando vítimas a identificarem sinais de perigo.
Casos Reais: Histórias de Sobrevivência e Luto
Em Barretos, Tainá Cristina da Silva sobreviveu a quatro facadas desferidas por seu ex-namorado. Ela relata o ataque: “Ele pegou meu celular e disse que ia quebrar porque eu tinha excluído ele, bloqueado porque ele estava dando muito trabalho e eu tinha bloqueado. Quando eu peguei o celular e entrei para dentro, ele veio e deu a primeira facada na minha costa. Aí eu corri, ele correu atrás e continuou me dando facada.” Após 16 dias internada, Tainá alerta outras mulheres: “O conselho que eu dou para todas as mulheres que vivem com um homem violento a esse ponto é para separar, manter distância, não aceitar conversar”.
Outro caso trágico é o de Patrícia Líne dos Santos, assassinada em Tocantins pelo ex-namorado com três tiros. Em Franca, Vera Lúcia Coutinho teve o corpo queimado com álcool pelo ex-namorado e morreu após internação, após ele ter tentado reatar o relacionamento.
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Números que Aterrorizam: Análise dos Dados
A pesquisa analisou 364 denúncias entre 2016 e 2017. Os promotores descobriram que 68% dos casos ocorrem de segunda a sexta-feira, entre 18h e 24h. A estatística mais alarmante: uma em cada três mulheres atacadas morre. A maioria das agressões acontece em casa, motivadas quase sempre por ciúmes e pela recusa do agressor em aceitar o fim do relacionamento.
Prevenção e Apoio às Vítimas
O promotor Luiz Henrique Pacini destaca que os agressores se sentem donos das mulheres e não admitem o fim da relação. Em Ribeirão Preto, um grupo especial formado por parceria com faculdades de psicologia orienta vítimas, familiares e até agressores, intermediando conflitos para evitar novos casos. As vítimas também podem procurar a Delegacia de Defesa da Mulher.
A análise dos dados demonstra a gravidade da violência contra a mulher e a urgência de medidas de prevenção e apoio às vítimas. A conscientização sobre os sinais de perigo e a busca por ajuda são cruciais para salvar vidas.



