Uma onda de crimes deste tipo tem deixado milhares de crianças sem aulas em Ribeirão
O Ministério Público de Ribeirão Preto intensificará a fiscalização de depósitos de sucatas que compram fios elétricos roubados, com o objetivo de fechar esses comércios e prender seus proprietários. Essa medida visa combater o crescente número de roubos de fios que afetam escolas, creches, postos de saúde e outros serviços públicos na cidade.
Aumento de furtos e impacto na comunidade
No último fim de semana, a creche Alaor Galvão César, na Vila Virgínia, foi alvo de ladrões que levaram fios elétricos, deixando o prédio sem energia e as crianças sem aula. Marina Mendes, mãe de uma aluna, relata os transtornos causados pela falta de energia, incluindo a necessidade de buscar alternativas para o cuidado dos filhos. A situação se repete em outras escolas, como a Neusa Miquelute Marzola, também na Vila Virgínia, que sofreu oito furtos em março, quatro deles envolvendo fiação. Em 2022, foram registradas 89 ocorrências desse tipo em Ribeirão Preto.
Recursos limitados e a busca por soluções
A Guarda Municipal, responsável pela segurança das escolas e creches, enfrenta dificuldades devido ao reduzido efetivo. Domingos Fortuna, chefe de operações da Guarda Municipal, afirma que a vigilância é realizada, mas que o ideal seria um efetivo três vezes maior. Como alternativa, a Guarda Municipal busca investir em tecnologia para reduzir as ocorrências. O Ministério Público já atua há dois anos em um grupo de trabalho para combater a venda de fios roubados, identificando diversos locais de receptação na cidade.
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Ações do Ministério Público e o combate à receptação
O promotor Luiz Henrique Pacini Costa explica que a intenção é fechar o cerco contra esse tipo de crime, focando na fiscalização constante dos depósitos de sucatas. Ações mais rigorosas serão tomadas contra quem compra os fios roubados, com o objetivo de inibir a prática. Somente nas duas últimas creches com fiação furtada, pelo menos mil crianças ficaram sem aulas. Desde o início do ano, foram 23 invasões em unidades da rede municipal de ensino, quase metade do total registrado em todo o ano passado (49). A frequência dos furtos é alarmante: 9 em janeiro, 3 em fevereiro, 8 em março e 3 em abril, com algumas escolas sofrendo múltiplas invasões.
A intensificação da fiscalização e a punição dos envolvidos são medidas essenciais para garantir a segurança das escolas e a continuidade das aulas, minimizando os impactos negativos na comunidade.



