Presidente de cineclube, Fernando Kaxassa falou à CBN Ribeirão
A iminente digitalização da exibição cinematográfica no Brasil, com o fim da produção de cópias em película pelos grandes estúdios, levanta questões sobre o futuro dos cinemas menores e a acessibilidade à cultura cinematográfica. Fernando Cachaça, fundador e presidente do Cineclube Cauim, em Ribeirão Preto, compartilha suas perspectivas sobre este cenário em transformação.
O Declínio dos Cinemas de Pequeno Porte
Cachaça aponta que o declínio dos cinemas de pequeno porte não é um fenômeno novo no Brasil. Desde a introdução do cinema colorido, que impactou negativamente a indústria, e a posterior migração para os shoppings, as salas menores vêm enfrentando dificuldades. Atualmente, a maioria das salas está nas mãos de grandes redes, tornando a transição para o digital um desafio ainda maior para os pequenos exibidores.
O Caso do Cineclube Cauim
O Cineclube Cauim, apesar de sua importância cultural, enfrenta desafios financeiros para a modernização. Como uma ONG, o Cauim depende de leis de incentivo para se manter, mas essas leis geralmente não cobrem a compra de equipamentos. A adequação da sala para as normas de segurança, por exemplo, teve que ser financiada com recursos próprios, através de eventos e outras iniciativas. Enquanto isso, as grandes redes de cinema provavelmente terão acesso a financiamentos governamentais para a troca de projetores.
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O Futuro da Exibição e a Qualidade da Imagem
Apesar das dificuldades, Cachaça demonstra otimismo cauteloso. Ele questiona se a qualidade da imagem digital já alcançou o nível da película, mas reconhece que a tecnologia está em constante evolução. O Cauim pretende manter a exibição de filmes antigos em película e, a princípio, não deixará de exibir lançamentos, buscando adquirir um projetor digital. Ele acredita que, com a popularização da tecnologia, o custo dos equipamentos digitais tende a diminuir, o que pode abrir caminho para o ressurgimento dos cinemas de bairro.
A digitalização representa um ponto de inflexão para a exibição cinematográfica no Brasil, com potenciais impactos tanto positivos quanto negativos. Resta acompanhar como os diferentes atores do setor se adaptarão a essa nova realidade.



