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Mudanças climáticas e seus impactos na saúde da população

Amplitude térmica, radiação ultravioleta... confira o comentário do médico cardiologista Fernando Nobre no 'CBN Saúde'
Mudanças climáticas e seus impactos
Amplitude térmica, radiação ultravioleta... confira o comentário do médico cardiologista Fernando Nobre no 'CBN Saúde'

Amplitude térmica, radiação ultravioleta… confira o comentário do médico cardiologista Fernando Nobre no ‘CBN Saúde’

Na coluna CBN Saúde, o cardiologista Dr. Fernando Nobre comenta novo estudo que relaciona o aquecimento global a alterações no sistema imunológico e ao aumento de risco para doenças cardiovasculares.

Calor, imunidade e inflamação

Pesquisadores liderados pelo Dr. Daniel Riggs, da Universidade de Louisville (Kentucky), apontam que a elevação das temperaturas e o aumento da umidade agem como fatores ambientais que podem favorecer a transmissão de doenças infecciosas e interferir temporariamente na resposta imune. A exposição de curto prazo a temperaturas altas estaria associada a um quadro inflamatório e à redução de células responsáveis por combater infecções, segundo o estudo.

Relação com doenças cardiovasculares

Os autores destacam que processos cardiovasculares, como infarto e hipertensão, têm forte componente inflamatório. No estudo, mesmo variações moderadas de temperatura desencadearam alterações agudas no funcionamento do sistema de defesa — uma inflamação de baixo grau ligada a distúrbios do coração. Eventos de calor extremo, como as ondas de calor recentes, elevaram a mortalidade, predominantemente por causas cardiovasculares.

Detalhes do estudo e questões em aberto

Foram avaliados mais de 600 adultos, com idade média de 49 anos — 59% mulheres — durante meses de verão. Os resultados foram ajustados por fatores como sexo, idade, raça, escolaridade, índice de massa corporal e tabagismo, buscando isolar o efeito da temperatura. Para cada aumento de 5°C, observou-se aumento nos níveis de marcadores inflamatórios e de mortalidade.

Especialistas, como Perri Schiffold, do Departamento de Pediatria e Medicina Ambiental em Nova York, ressaltam que ainda há perguntas importantes: por exemplo, se a oscilação entre ambientes muito frios de ar condicionado e o calor externo aumenta a vulnerabilidade; e como características genéticas, dieta e hábitos de vida modulam essa resposta. São necessárias investigações sobre efeitos agudos e prolongados do calor — em particular durante ondas de calor — sobre os mecanismos de defesa e a mortalidade.

O alerta é claro para profissionais de saúde e para a população: o calor extremo não é apenas desconforto, mas um fator que pode agravar doenças já prevalentes e influenciar a mortalidade por causas cardiovasculares, exigindo medidas de prevenção e adaptação.

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