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Desastres causados por chuvas no brasil: Mudanças climáticas mais evidentes torna necessário a criação de novas soluções tecnológicas

Dalton Marques comenta um estudo que aponta que 83% dos municípios brasileiros já sofreram com desastres climáticos
desastres causados por chuvas no brasil
Dalton Marques comenta um estudo que aponta que 83% dos municípios brasileiros já sofreram com desastres climáticos

Dalton Marques comenta um estudo que aponta que 83% dos municípios brasileiros já sofreram com desastres climáticos

Um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que 83% dos municípios brasileiros já sofreram desastres causados por chuvas nos últimos quatro anos. A pesquisa, intitulada “Temporadas das Águas: o aumento das chuvas extremas”, integra a série “Brasil em Transformação e Impacto da Crise Climática”, produzida pelo programa de extensão Maré da Ciência, que busca fortalecer a relação entre ciência, políticas públicas e sociedade.

O estudo analisa o aumento da frequência e intensidade das chuvas extremas no Brasil, associadas à crise climática, e apresenta dados sobre desastres naturais ocorridos entre 1991 e 2023, seus impactos sociais, econômicos e ambientais, além de destacar as regiões sul e sudeste como as mais afetadas.

Entre 2020 e 2023, foram registrados 7.539 eventos climáticos extremos relacionados a chuvas. No período desde a década de 1990 até 2023, as chuvas causaram 4.247 mortes e desalojaram aproximadamente 8,7 milhões de pessoas no país. A pesquisa indica que 90% das pessoas impactadas relataram sequelas emocionais, e mais de 650 mil ficaram feridas ou doentes.

Os prejuízos econômicos decorrentes desses desastres somaram cerca de R$ 132 bilhões entre 2020 e 2024, valor mais de 100 vezes superior ao registrado na década de 1990. O evento mais grave ocorreu no Rio Grande do Sul em 2023, com perdas próximas a R$ 90 bilhões. Cerca de 83% dos prejuízos atingem o setor privado, principalmente a agricultura, que representa quase 50% das perdas.

Dalton Marques, gerente de desenvolvimento econômico do Superaparc, destacou que o aquecimento global está ocorrendo mais rapidamente do que o previsto, com temperaturas médias globais em 2024 já 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, patamar que o Acordo de Paris previa para 2050. Esse aumento está diretamente relacionado à intensificação das chuvas e à frequência de desastres extremos.

O conceito de “ponto de não-retorno” foi mencionado para explicar que, caso as temperaturas continuem a subir, poderá ocorrer uma reação em cadeia irreversível, afetando ecossistemas e a segurança alimentar global.

Em relação às soluções, a tecnologia climática tem papel fundamental tanto para mitigar os efeitos quanto para tentar frear as mudanças climáticas. O mercado global de tecnologias climáticas, que inclui gestão da pegada de carbono, monitoramento agrícola, purificação de água, entre outros, está estimado em US$ 25 bilhões atualmente e pode alcançar US$ 182 bilhões até 2033, com crescimento anual de 25%.

Além disso, estratégias de adaptação urbana, como a implementação de jardins de chuva, bióvaletas, vias verdes e parques lineares, podem aumentar a resiliência das cidades ao clima, reduzindo o escoamento superficial e aliviando sistemas de drenagem convencionais, sem necessidade de alta tecnologia.

Pontos-chave

  • 83% dos municípios brasileiros sofreram desastres causados por chuvas nos últimos quatro anos.
  • Entre 1991 e 2023, as chuvas causaram mais de 4 mil mortes e desalojaram cerca de 8,7 milhões de pessoas.
  • Prejuízos econômicos entre 2020 e 2024 somaram R$ 132 bilhões, com o setor agrícola sendo o mais afetado.
  • O mercado de tecnologias climáticas deve crescer 25% ao ano, alcançando US$ 182 bilhões até 2033.
Entenda melhor

O estudo “Temporadas das Águas” está disponível gratuitamente no site do programa Maré da Ciência da Unifesp. Ele oferece uma análise detalhada dos impactos das mudanças climáticas no Brasil, incluindo dados sobre desastres naturais, impactos sociais e econômicos, e estratégias de adaptação e mitigação.

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