Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
Especialistas alertam que as transições da infância para a adolescência e desta para a vida adulta exigem mais do que o simples amadurecimento biológico: demandam mudanças de hábitos que garantam saúde e bem-estar ao longo da vida. A adoção precoce de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas e a garantia de sono adequado são apontadas como estratégias-chave para reduzir o risco de doenças crônicas no futuro.
Transições e hábitos que moldam o futuro
Profissionais de saúde destacam que o período de crescimento é decisivo para a formação de rotinas. Hábitos estabelecidos na infância tendem a persistir e a influenciar diretamente a saúde na vida adulta. Alimentação saudável e exercício físico regular contribuem não apenas para o desenvolvimento físico e mental, mas também para a prevenção de doenças como diabetes, hipertensão, mudanças nos níveis de colesterol, osteoporose e alguns tipos de câncer.
Evidências e riscos apontados por estudos
Pesquisas internacionais com adolescentes entre 11 e 17 anos mostram que apenas cerca de 30% cumprem a recomendação de pelo menos uma hora de atividade física por dia, enquanto aproximadamente 20% alcançam oito horas de sono por noite. Segundo o estudo, a combinação de obesidade e sono inadequado amplia o risco de desenvolver diabetes e doenças cardíacas, comprometendo a qualidade de vida e o prognóstico cardiovascular ao longo da vida.
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Cenário no Brasil e medidas recomendadas
No Brasil, padrões de comportamento longe do ideal agravam a situação. Dados do Ministério da Saúde indicam que 25,8% da população assiste mais de três horas de televisão por dia em pelo menos cinco dias por semana, um padrão observado também entre crianças e adolescentes e associado à inatividade física. Mais da metade da população apresenta excesso de peso; a prevalência de diabetes está em torno de 6% a 7%; hipertensão atinge cerca de 30% dos adultos e quase 5% das pessoas com menos de 18 anos; e alterações no colesterol afetam cerca de 17% dos brasileiros.
Especialistas defendem que intervenções preventivas iniciadas na infância — como a promoção de dietas balanceadas, o estímulo à prática regular de exercícios e o estabelecimento de rotinas de sono — são fundamentais para reduzir a carga de doenças cardiovasculares e metabólicas. Iniciativas integradas entre família, escolas e políticas públicas podem ser determinantes para transformar indicadores preocupantes em trajetórias mais saudáveis para as próximas gerações.
Para profissionais ou responsáveis por políticas públicas, a recomendação é clara: combinar ações educativas, ambientes que favoreçam a atividade física e estratégias de suporte ao sono e à alimentação desde cedo aumenta as chances de melhoria dos indicadores de saúde ao longo do ciclo de vida.



