Laudos do IML (Instituto Médico Legal) de Araraquara esclareceram a dinâmica das mortes de Sabrina de Almeida Lima, de 27 anos, e de seus três filhos — Eduardo Felipe, 10, Vitor Hugo, 8, e Luís Henrique, 6 — em um crime ocorrido em Jaboticabal em dezembro de 2025. Os documentos confirmam as causas das mortes, descrevem as agressões e reforçam pontos centrais da investigação, que apura possível premeditação e eventual participação de terceiros.
Os exames apontam que as três crianças morreram por traumatismo cranioencefálico provocado por objeto contundente. A perícia descarta a hipótese de que tenham sido enterradas vivas, já que não houve sinais de falência respiratória; as lesões causaram destruição ósseocraniana imediata.
Conforme o laudo, a criança de 6 anos sofreu uma lesão, enquanto as de 8 e 10 anos apresentaram duas lesões cada. Em depoimento, Milton Gonçalves confessou o uso de uma marreta nas agressões.
No caso de Sabrina, o IML indica que ela tentou se defender e permaneceu consciente durante o ataque. O laudo registra fratura exposta no punho esquerdo, perfurações em ambos os pulmões, lesões na cabeça e amputação dos dedos anelar e mínimo.
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Os autores confessos são o caseiro Milton Gonçalves, de 48 anos, companheiro de Sabrina, e o filho dele, Leonardo Gonçalves, de 21. Ambos estão presos desde 23 de dezembro e respondem por feminicídio, homicídio, destruição, subtração e ocultação de cadáver.
De acordo com os relatos, Leonardo teria atacado Sabrina com um facão para “defender o pai”. Em seguida, Milton teria golpeado Vitor Hugo, que tentou proteger a mãe, e depois os outros dois irmãos.
Para ocultar o crime, Milton desligou a chave geral da casa, o que teria interrompido o funcionamento das câmeras de segurança. Os corpos foram enrolados em sacos de alumínio usados para silagem e enterrados em valas em uma área de mata próxima à fazenda.
Antes de confessar, Milton informou a familiares e à Polícia que Sabrina teria saído com os filhos, versão posteriormente descartada pela investigação.
Contradições
A defesa das vítimas sustenta que o crime foi premeditado e levanta dúvidas sobre a limpeza da cena. Apesar de a casa aparentar estar em “perfeitas condições” na chegada da polícia, a perícia identificou grande quantidade de sangue em paredes, fios, cabos, chão e batentes.
Outro ponto questionado é o transporte dos corpos. O laudo do veículo indicado por Milton não detectou vestígios de sangue, o que motivou pedido de perícia em outro automóvel e a reconstituição dos fatos para esclarecer a logística do crime.



