Quem fala sobre estes desafios e traz dados sobre as mamães no mercado de trabalho é o colunista Dimas Facioli
O Brasil conta com 67 milhões de mães, segundo pesquisa do Instituto Data Popular. Destas, 46% trabalham, sendo que 31% são mães solteiras. A idade média dessas mães é de 47 anos, e sua distribuição socioeconômica é assim composta: 55% classe média, 25% classe alta e 20% classe baixa. Cerca de 36% dos filhos adultos contribuem financeiramente para a renda familiar.
Desafios da dupla jornada e a busca por atualização
As mães brasileiras enfrentam o desafio da dupla jornada, conciliando trabalho e cuidados com a família. Dados apontam que elas buscam mais qualificação profissional do que os homens, refletindo a vontade de se manterem ativas no mercado de trabalho e atualizadas com as demandas do mercado. A pandemia, com a expansão do home office, contribuiu para uma maior conciliação entre trabalho e cuidados maternais.
Dificuldades no retorno ao trabalho após a maternidade
Uma pesquisa indica que apenas 8% das mulheres retornam ao trabalho seis meses após a licença maternidade, enquanto o índice para os homens é de 33%. Diversos fatores contribuem para essa diferença, incluindo a dificuldade de recolocação após uma ausência prolongada, a escolha pessoal de se dedicar mais à família, e a falta de apoio das empresas. A percepção da mulher como um peso, e não como uma qualidade, no ambiente de trabalho também é um fator a ser considerado. A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta que, após 24 meses, quase metade das mulheres que tiraram licença maternidade não está mais presente no mercado de trabalho, um padrão que se repete até 47 meses depois. Este cenário se agrava para mães solo, negras e com menor nível de instrução.
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Perspectivas e inclusão
Apesar dos desafios, há sinais de transformação no mercado de trabalho. As empresas têm demonstrado maior abertura para discutir questões de inclusão, como a igualdade salarial e a criação de ambientes mais favoráveis à maternidade. Programas de inclusão, como a abertura para o trabalho remoto e a disponibilização de creches, são exemplos de iniciativas que buscam auxiliar na conciliação entre trabalho e família. Entretanto, é necessário superar obstáculos como a informalidade, a jornada tripla e a falta de apoio para mães solo e negras. A persistência e a energia das mães em lidar com esses desafios são notáveis, e a sociedade precisa reconhecer e valorizar sua contribuição para o mercado de trabalho.