CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe

Mulheres que levam a maternidade como vocação e se tornam ‘mães acolhedoras’

Ouça a história de mulheres que se voluntariaram a ser uma 'Família Acolhedora' e acolherem crianças afastas dos pais biológicos
Mulheres que levam a maternidade como
Ouça a história de mulheres que se voluntariaram a ser uma 'Família Acolhedora' e acolherem crianças afastas dos pais biológicos

Ouça a história de mulheres que se voluntariaram a ser uma ‘Família Acolhedora’ e acolherem crianças afastas dos pais biológicos

Na semana em que se destaca a importância da maternidade, a reportagem acompanha histórias de mulheres para quem cuidar de crianças vai além do laço biológico. Em Ribeirão Preto, o programa de acolhimento familiar — conhecido como família colhedora — oferece uma alternativa ao abrigo institucional e transforma tanto a vida das crianças quanto a das pessoas que as recebem temporariamente.

Um acolhimento que transforma

Suela, auxiliar de farmácia de 39 anos, é mãe de dois filhos biológicos e já recebeu outros quatro jovens e crianças em sua casa por períodos determinados. “Foi um desejo que eu sempre tive no meu coração, de trabalhar como voluntária em um abrigo”, conta. Após ver um depoimento sobre família colhedora na internet, ela procurou o serviço em Ribeirão Preto e se cadastrou.

Cada experiência trouxe uma lição. “Eu não ajudo eles, eles quem me ajudam, me ensinam a ser uma pessoa melhor”, diz Suela. Ela descreve o impacto afetivo do relacionamento diário: rotinas escolares, consultas médicas e fins de semana geram vínculos intensos. “Quando vai embora é bravo, não vou mentir, a gente sofre. Mas a gente tem que aprender a falar tchau”.

Preparação e limites do acolhimento

O ingresso no programa passa por preparação e entrevistas com profissionais, reconhece Suela: psicólogos e assistentes sociais acompanham as famílias desde o cadastro até o momento do acolhimento. A orientação é clara sobre os objetivos do programa: o acolhimento familiar não tem por finalidade a adoção. As famílias acolhedoras são informadas de que seu papel é temporário e de apoio.

Apesar da dor das despedidas, Suela reforça o sentido do trabalho voluntário: “É muito bom, você se sente útil, feliz de poder ajudar a deixar o dia de uma criança mais leve”. Para ela, cada acolhimento é também um aprendizado emocional: “Não precisa o filho sair de você para você amar e querer cuidar e zelar”.

Visão jurídica e o caráter humanizado

O juiz da Vara da Infância e Juventude de Ribeirão Preto, Paulo César Gentili, explica que a família colhedora é um recurso previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente para situações em que é necessário afastar temporariamente o menor do convívio com a família biológica. “A opção pelo acolhimento familiar é mais humanizada porque evita que a criança fique em uma instituição”, afirma.

Gentili destaca que as famílias recebem acompanhamento técnico contínuo e que o programa busca garantir que os vínculos estabelecidos não inviabilizem o retorno da criança à família de origem, quando essa for a decisão judicial ou o caminho adequado.

Para muitas mulheres, a maternidade assume formas diversas — pela gestação, pela adoção ou por acolhimentos temporários — e todas elas, segundo profissionais ouvidos, podem proporcionar experiências profundas de cuidado e transformação para quem dá e para quem recebe.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.